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Diversidade

Março roxo: a epilepsia e as cidades mais inclusivas

A epilepsia  afeta mais de 2 milhões de brasileiros, mas ainda é cercada por estigma e lacunas institucionais

Publicado em 18 de Março de 2026 às 04:01

Públicado em 

18 mar 2026 às 04:01
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Artigo escrito com coautoria de Jacque Barros, arquiteta e embaixadora da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE)
O Março Roxo, que tem no dia 26 o chamado Dia Roxo, cumpre um papel essencial, a saber, dar visibilidade à epilepsia, condição neurológica que atinge cerca de 1% da população brasileira. Mais do que informar, a campanha provoca um debate necessário sobre preconceito, desinformação e o direito ao cuidado.
A construção de cidades mais humanas passa, inevitavelmente, por enfrentar invisibilidades históricas. A epilepsia é um caso emblemático, afeta mais de 2 milhões de brasileiros, mas ainda é cercada por estigma e lacunas institucionais. Tirá-la da sombra é um passo decisivo para qualificar políticas públicas e fortalecer a cidadania.
No Espírito Santo, sinais concretos apontam para um novo caminho. A criação da Carteirinha Estadual da Pessoa com Epilepsia e a difusão do Protocolo CALMA representam avanços que combinam dignidade, orientação e inteligência pública. Ao mesmo tempo em que salvam vidas, essas iniciativas estruturam uma base de dados estratégica para o planejamento governamental.
A Carteirinha vai além da identificação. Ao reunir informações sobre perfil dos pacientes, tratamento e territorialidade, ela permite ao Estado compreender demandas, direcionar recursos e qualificar serviços. Trata-se de transformar dados em ação, orientar a oferta de medicamentos, capacitar profissionais e organizar respostas mais rápidas e eficientes.
Já o Protocolo CALMA sintetiza, com simplicidade, uma cultura de cuidado: manter a calma, afastar objetos, lateralizar, medir o tempo e acolher. Sua disseminação em escolas, transportes e instituições públicas reduz danos, salva vidas e rompe o ciclo da desinformação.
Pensar a cidade do futuro exige ir além da lógica setorial. A epilepsia atravessa saúde, educação, mobilidade e trabalho. Exige integração, escuta e decisões baseadas em evidências. Nesse contexto, o Espírito Santo demonstra a importância de uma gestão orientada por dados e pela articulação entre Estado e sociedade.
Mais do que um tema médico, a epilepsia é uma lente para repensar o urbano. Cidades que cuidam são aquelas que reconhecem suas vulnerabilidades e as transformam em agenda de inovação. Ao tornar visível o que antes era ignorado, abrimos caminho para um futuro mais inclusivo e mais inteligente para todos.

Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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