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Economia

Quais atividades econômicas retomaram o patamar pré-pandemia?

O PIB capixaba de 2021 será divulgado pelo IJSN nesta quinta-feira (17). Considerando os indicadores analisados neste artigo, tudo indica que a economia do ES poderá registrar um desempenho superior ao nacional

Publicado em 16 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

16 mar 2022 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Movimento de pessoas no comércio da Glória, em Vila Velha
Movimento de pessoas no comércio da Glória, em Vila Velha Crédito: Ricardo Medeiros
Com coautoria de Antonio Ricardo Freislebem da Rocha, doutorando em Economia e pesquisador do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN)
Desde o início da pandemia, a população global convive com os impactos sanitários e econômicos ocasionados pela Covid-19. A intensidade e a magnitude da crise sanitária podem ser percebidas pelos mais de 6 milhões de óbitos ocasionados pela doença no mundo. Na ótica econômica, a redução de atividades e produção, a diminuição de renda e o aumento do desemprego em inúmeros países demonstram outras perspectivas dos efeitos negativos causados pela crise sanitária.
A gestão de risco da pandemia possui um divisor de águas: o advento da vacinação. As estratégias adotadas antes do início da vacinação se caracterizavam por medidas não farmacológicas que buscavam reduzir a circulação de pessoas, aumentando o distanciamento social, diminuindo a transmissão da Covid-19 e, consequentemente, mitigando a infecção, evitando a evolução de quadros mais graves da doença em pacientes e, sobretudo, preservando vidas. Dessa forma, também se objetivava afastar os tristes cenários de colapso dos sistemas de saúde ao redor do mundo.
Na ausência de uma coordenação nacional efetiva na gestão de risco da pandemia, os Estados e cidades brasileiras assumiram a liderança na jornada de aumentar o distanciamento social em tempos sem a vacina. A redução da circulação de pessoas foi garantida por meio da suspensão de aulas, proibição de eventos festivos com aglomeração de pessoas e a restrição e adaptação de algumas atividades econômicas. Essas foram estratégias adotadas no mundo todo, especialmente no ano de 2020.
A partir de 2021, com a chegada da vacina garantindo a imunização em centenas de países, tais estratégias foram sendo flexibilizadas, o que possibilitou a vários segmentos de atividades econômicas retomarem o crescimento. Alguns desses alcançaram o patamar de desempenho pré-pandemia. Nessa lógica, na sequência vamos analisar os dados no cenário do Brasil e do Espírito Santo.
Os indicadores conjunturais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em fevereiro de 2022, relativos ao mês de dezembro de 2021, mostraram quais setores da economia brasileira e capixaba já se recuperaram (ou não) dos impactos negativos causados pela pandemia. Como base de comparação foi utilizado o mês de fevereiro de 2020. Todos os dados podem ser acessados no painel de indicadores econômicos que se encontra no site do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
Ao final do mês de dezembro de 2021, o volume de vendas do comércio capixaba ficou acima do nível pré-pandemia (+10,2% contra queda de -2,3% no Brasil). Em relação ao comércio ampliado (que inclui os segmentos de material de construção, automóveis, motos, partes e peças) o nível atingido foi de +15,6% no Estado e -1,3% no caso brasileiro. Impulsionado inicialmente pelas vendas de material de construção e consumo das famílias, o comércio sofreu com a alta nos preços. A inflação medida pelo IBGE (IPCA) na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) alcançou 5,15% em 2020 (4,52% no país) e11,5% em 2021. No Brasil, chegou a 10,6%.
Em relação ao setor de serviços no ES, tanto o Estado quanto o país retomaram o desempenho pré-pandemia (+10,7% contra +6,6% no caso brasileiro). Os serviços prestados às famílias (salões, restaurantes, hotéis, etc) foram os segmentos que mais sofreram com a pandemia no mundo todo, devido às restrições de circulação de pessoas. Esse segmento apresentou perdas de -32% em 2020 voltando a se recuperar no ano de 2021 no ES (+23,8%).
As atividades turísticas também demonstraram recuperação. Enquanto no Espírito Santo a variação do mês de dezembro de 2021 em relação a fevereiro de 2020 foi de +3,3%; no Brasil o setor ainda não se recuperou (-11,4%).
Único grande setor que ainda não se recuperou, a indústria geral capixaba apresentou-se abaixo do nível pré-pandemia (-8,3% contra -0,9% do Brasil) devido principalmente à indústria extrativa capixaba, que tem maior participação na estrutura econômica do Estado, comparativamente ao Brasil. Enquanto a indústria extrativa tem participação de 2,9% no Valor Adicionado Bruto brasileiro, no Estado essa participação chega a 9,9% (IBGE/IJSN/PIB 2019).
Vale lembrar que esse setor vinha encontrando uma série de adversidades no contexto nacional mesmo antes da pandemia. Com a crise sanitária-econômica, o setor também sofreu com a redução mundial na demanda de commodities, principal produto da pauta exportadora capixaba. A indústria ainda sofre com a pressão de custos e o desarranjo de algumas cadeias produtivas que provocou escassez de insumos no processo de produção.
O mercado de trabalho capixaba também se recuperou do impacto da pandemia. Após registrar saldo positivo de +3.261 postos de trabalho formais em fevereiro de 2020, a partir de então começou a sofrer com as demissões e computou saldos de -4.874 em março, -19.765 em abril, -7.974 em maio e -802 em junho. A partir de julho daquele ano, o mercado de trabalho voltou a registrar saldo positivo.
Em 2021, o ES evidenciou um expressivo saldo de empregos de +52.621 postos de trabalho. Enquanto o estoque de trabalhadores capixaba aumentou aproximadamente +7,0% no período de março de 2020 a dezembro de 2021, o estoque brasileiro aumentou +5,7%.
Em síntese, o Brasil conseguiu retomar o patamar de crescimento pré-pandemia no setor de serviços, porém segmentos da indústria e comércio ainda registraram resultados abaixo do esperado. No Espírito Santo, os segmentos de comércio e serviços e a geração de emprego retomaram ou superaram seus desempenhos do período pré-pandemia.
PIB capixaba de 2021 será divulgado pelo IJSN nesta quinta-feira, dia 17 de março. Tendo como pano de fundo os indicadores aqui analisados, há de se esperar resultados melhores para a economia capixaba comparativamente aos resultados constatados para o Brasil.

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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