Em 8 de janeiro de 2023, um atentado ultrajante foi forjado contra a democracia brasileira na capital federal. Os ataques antidemocráticos foram gestados, por meses, antes daquele dia vergonhoso para a história do Brasil.
Nos últimos anos, poderes e instituições democráticas do país vinham sendo alvo de acusações infundadas e ataques deliberados por parte de líderes e atores de grupos políticos extremistas. Milhares de pessoas foram maliciosamente influenciadas a atacar entidades republicanas, como o Poder Judiciário e o Supremo Tribunal Federal (STF).
A imprensa, um dos pilares de proteção da democracia, vinha sendo reiteradamente desrespeitada e ameaçada por esses grupos, ao ponto dos repórteres e jornalistas serem renegados em uma espécie de cercadinho para serem expostos a variados insultos e ofensas. Tempos duros e difíceis para os brasileiros.
Os ataques antidemocráticos foram planejados, financiados e arquitetados por mentes obscuras e autoritárias que, inconformadas com a vontade popular expressa pelo resultado das eleições presidenciais de 2022, estimularam uma tentativa de golpe de Estado.
A tentativa fracassada de golpe lançou luz sobre uma diversidade de crimes que foram praticados por centenas de pessoas nas sedes dos Três Poderes em Brasília. A tipificação varia desde crime de abolição violenta do Estado democrático de Direito, passando por lesão corporal e tentativa de homicídio contra agentes públicos e policiais que tentaram conter os atentados antidemocráticos, chegando a furto e depredação de bens públicos e/ou patrimônio tombado.
Em questão de horas, os atos de vandalismos e de selvageria de 8 de janeiro de 2023 geraram um prejuízo patrimonial de mais de R$ 25 milhões, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Isso sem falar dos danos simbólicos e irreparáveis à cultura, história e imagem do país na comunidade internacional.
Com o objetivo de reparar tais danos e punir os criminosos, o STF já autorizou, em um ano, 255 buscas e apreensões, 350 quebras de sigilo bancário e telemático, mais de 800 diligências, que vão desde prisões a coletas de provas. No dia dos ataques antidemocráticos, foram realizadas 243 prisões em flagrante na Praça dos Três Poderes e em seguida cerca de 1.900 pessoas que se envolveram nos atentados foram conduzidas. Mais de 80 indivíduos foram presos por meio de investigações conduzidas pela Polícia Federal, 30 pessoas foram julgadas e condenadas com penas que chegam a 17 anos de prisão, 29 ações penais estão sendo julgadas e outras 146 ações têm data prevista para julgamento.
Essas ações serão concluídas e as investigações devem continuar com o propósito de alcançar aqueles que planejaram, financiaram e estimularam os ataques antidemocráticos.
Naquele 8 de janeiro, a democracia brasileira foi criminosamente atacada. Graças aos sistemas e mecanismos constitucionais, bem como a atuação vigilante, rápida e integrada das instituições e autoridades republicanas, a nossa democracia não somente resistiu aos ataques, como também saiu mais fortalecida. Um dia que deve ser lembrado para manter sob a luz da democracia aqueles que ainda estão na espreita e insistem atuar de forma obscura arquitetando e estimulando ataques contra a república e a Constituição Cidadã.