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Atos antidemocráticos

Não confundam liberdade de expressão com liberdade de agressão

Muitos charlatões de redes sociais, que propagam ódio e violência com fake news e ideias conspiracionistas e golpistas, devem estar preocupados com os desdobramentos da megaoperação nacional contra as milícias digitais

Publicado em 21 de Dezembro de 2022 às 00:01

Públicado em 

21 dez 2022 às 00:01
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Na última quinta-feira (15), a Polícia Federal (PF) deflagrou uma megaoperação nacional a partir da decisão do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) que foi fundamentada pelo trabalho integrado de Ministérios Públicos Estaduais, entre esses, destaque para o Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
A decisão culminou em prisões e buscas e apreensões em vários estados brasileiros. No Espírito Santo, quatro indivíduos tiveram a prisão decretada pelos seguintes crimes denunciados: contra a honra, incitação ao crime, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Dois desses indivíduos já se encontram no sistema prisional. Além disso, foi determinada a instalação de tornozeleiras eletrônicas em dois deputados estaduais, que também foram alvos de buscas e apreensões.
Polícia Federal dentro da Assembleia Legislativa do ES: deputados estaduais Carlos Von (DC) e Capitão Assumção (PL) foram alvos da operação
Polícia Federal dentro da Assembleia Legislativa do ES: deputados estaduais Carlos Von (DC) e Capitão Assumção (PL) foram alvos da operação Crédito: Foto do leitor
De acordo com as denúncias, esses sujeitos integram uma milícia digital. Atuam covardemente atacando a honra das pessoas e autoridades com fake news, incitando crimes, propagam ideias conspiracionistas e golpistas contra o Estado Democrático de Direito, alimentando seguidores alienados com discursos de ódio, intolerância e violência.
As lideranças da milícia digital são covardes e acreditam que podem se esconder atrás da tela de um computador ou celular para cometer crimes. O nível de canalhice é tão vergonhoso que eles tentam se fazer valer de uma suposta “liberdade de expressão” para atacar até mesmo autoridades públicas e instituições republicanas. Como bem ressaltou a citada decisão, não podemos confundir liberdade de expressão com liberdade de agressão.
Muitos charlatões de redes sociais e políticos de Whatsapp, que propagam ódio e violência com fake news e ideias conspiracionistas e golpistas, devem estar preocupados com os desdobramentos da megaoperação nacional contra as milícias digitais.
As prisões e apreensões da última semana são ações relevantes para reforçar e proteger a democracia brasileira. No atual estágio de reconstrução do Brasil, o Estado Democrático de Direito e a cultura da paz vão prevalecer sobre os criminosos covardes que estimulam a intolerância, preconceitos, agressões e ódio.

Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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