No Brasil, um aluno da educação básica custa aos cofres públicos cerca de R$ 20,5 mil por ano. Esse número consta do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, que aponta investimento médio por aluno da Educação Básica no Brasil de US$ 3.668, valor semelhante ao da Argentina (US$ 3.679) e bem abaixo da média da OCDE, de US$ 11.914. O investimento brasileiro na educação do cidadão é inferior à média internacional.
Ao mesmo tempo, um preso no sistema estadual custa em média R$ 31,4 mil a cada ano. Já um detento em penitenciária federal de segurança máxima chega a R$ 489,6 mil por ano, quase 24 vezes o valor investido em um estudante, conforme sinaliza o painel Custo do Preso da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen/MJSP).
A conta é simples e reveladora. O Brasil gasta menos formando cidadãos do que prendendo os que a própria falta de oportunidade empurrou para o crime. E a disparidade entre estados escancara o problema. Em 2024, o custo mensal de um preso variou de R$ 1,1 mil, no Espírito Santo, a R$ 4,3 mil, na Bahia, segundo a Senappen. Nenhum estado, porém, investe por aluno o que investe por detento.
Em minha tese de doutorado pela Ufes, intitulada de “Geografia do Crime: Homicídios e Aspectos Demográficos”, os resultados empíricos confirmaram que as condições educacionais da população, ao lado da falta de oportunidades econômicas, da desorganização territorial e da qualidade da infraestrutura domiciliar, explicam parte significativa da variação das taxas de homicídio entre estados brasileiros e municípios capixabas. Insta salientar que esses aspectos estão interrelacionados. Isso não é retórica. É evidência estatística.
Cada real negado à escola hoje se transforma, anos depois, em um gasto multiplicado com segurança, justiça e sistema prisional. Investir em educação básica não é despesa, é a política de segurança pública mais eficiente e mais barata que existe, embora seus efeitos não caibam no imediatismo de um mandato eleitoral.
Enquanto o país discutir apenas mais presídios e mais policiamento, sem enfrentar a raiz estrutural do problema, continuaremos pagando uma conta mais cara e mais injusta. A pergunta que fica é direta: até quando vamos preferir pagar mais para punir do que investir para prevenir?