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Economia capixaba

Reversão no processo de globalização pode gerar oportunidades para o ES

Com redesenho do mapa de oportunidades de negócios e crescimento de países e blocos econômicos, o Brasil e o Espírito Santo podem encontrar espaço para crescer

Públicado em 

03 dez 2022 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

É até possível imaginarmos que os movimentos recentes observados na geoeconomia tenham sido acelerados com a pandemia da Covid-19 e a guerra entre a Ucrânia e Rússia. Refiro-me a mudanças, ainda em início de curso, nos conteúdos dos fluxos comerciais entre países e blocos econômicos, provocados pelos dois movimentos em questão. No conjunto, expressam fissuras no processo de globalização, com implicações que podem provocar simultaneamente um redesenho do mapa de oportunidades de negócios e o crescimento de países e blocos econômicos, nos quais o Brasil e o Espírito Santo podem encontrar, inclusive, espaço para crescer.
As fissuras, que reputamos serem de natureza estrutural, impõem às empresas, sobretudo as multinacionais e aquelas que operam ou dependem do mercado externo, a necessidade de buscar condições que garantam, com mais segurança, o fluxo de suprimento de componentes, insumos e materiais para as suas operações, bem como também mercados para seus produtos. É por essa razão que estas estão revendo suas estratégias de negócios, redesenhando regionalmente seus pontos de apoio, mercados e suprimentos.
É nesse novo redesenho que se estrutura hoje no mundo econômico e também político que vislumbramos boas oportunidades para o Brasil e também para o Espírito Santo. O que seria um alento em meio ao pessimismo global e interno do momento. Pode ser, inclusive, uma via por onde o país possa recompor e fazer avançar, em complexidade e diversidade, a sua atual base industrial, reconhecidamente frágil e pouco competitiva externamente: uma reindustrialização em novos moldes.
Essas oportunidade podem ser detectadas em leituras, mesmo que rápidas, em matérias econômicas do mundo dos negócios veiculadas no Brasil e nos principais países da linha de frente do comércio internacional. É comum, por exemplo, encontrarmos afirmações do tipo: empresas buscam segurança nas suas bases de suprimentos globais e estão à procura de novas bases de suprimento e mercados. Algumas estão recorrendo a bases locais de suprimento, substituindo importações; outras a países ou regiões considerados mais seguros e atraentes, num movimento oposto à globalização que estava a pleno vapor antes da pandemia. O foco é mais regional.
Sempre vi o Espírito Santo como uma plataforma logística. Muniz Freire, governador do Estado na última década do século XIX, já ensaiava essa perspectiva, com sua visão que extravasava as fronteiras do ES e do Brasil. Uma plataforma que combina estrategicamente uma sólida base de oferta atrelada a outra de demanda: um “hub” comercial e de transformação industrial. Aliás, ideia incansavelmente exposta e defendida pelo saudoso e genial Eliezer Batista.
O que temos que fazer internamente é mapear e definir claramente essas novas oportunidades e criar condições internas que as transformem em realidade. O Espírito Santo pode ser esse “porto seguro”.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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