Esse tema tem sido recorrente aqui neste espaço de debate por várias motivações e razões, mas principalmente porque estamos lidando com questões que dizem respeito ao desenvolvimento do país e obviamente do Espírito Santo. E uma certa obsessão em torno do problema da desindustrialização toma mais corpo pela percepção de consenso de que é na indústria que encontramos a expressão tangível da inovação e da competitividade.
É importante deixar claro que quando estamos falando de industrialização ou seu oposto desindustrialização estamos tomando como referência exclusivamente a indústria de transformação, também denominada de indústria manufatureira. A média de participação desse setor específico no PIB mundial é de cerca de 16%, e no Brasil de 12%. É a forma como são comparados os graus de industrialização entre países.
Resta, então, a pergunta, a despeito de relativismos: o fenômeno da desindustrialização existe ou não, e se é observado em escala global ou apenas localizado? Segundo vários estudos empíricos que tratam da questão, de fato a participação da “manufatura” – aliás, um termo não bem contemporâneo – no PIB global vem caindo ou mantendo-se praticamente estável. Enquanto a preços industriais correntes a participação cai de 26,2% em 1971 para 16% em 2017, a preços constantes praticamente se mantive. No entanto, também cai quando tiramos a China, que apresentou evolução meteórica.
Para dirimir possível controvérsia é bom explicar essa diferença. Normalmente os preços da indústria de transformação tendem a subir menos do que os preços em geral, e principalmente, por exemplo, do que os preços de commodities industriais, que não integram o grupo da manufatura. Exemplificando ainda mais, o preço do aço, produto da manufatura, tende a variar menos do que o preço do minério de ferro, produto da extrativa mineral. Situações bem próprias do Brasil e mais ainda do Espírito Santo.
O problema é que no caso do Brasil, tanto em termos nominais, ou seja a preços correntes, quanto a preços constantes, o setor da indústria de transformação vem perdendo participação. Em 1980, a participação era de 21%, caindo para 12,6, hoje.
Podemos até relativizar essa queda, o que seria até justificável em nível global, principalmente por conta de mudanças tecnológicas e avanço do setor de serviços na indústria. Mas, no caso do Brasil, as explicações não tem como se limitarem a esse campo. De fato o núcleo da indústria de transformação no Brasil sofreu perdas. Estimativas indicam que entre 2015 e 2020, período em que o Brasil sofreu uma das suas maiores crises econômicas, algo em torno de 36 mil estabelecimentos industriais foram fechados no país.
Então, reindustrializar é o novo caminho?