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Participação

Em quais estados a indústria tem um peso maior na economia?

O ES se destaca como o quarto estado com maior participação da indústria. Os segmentos da extrativa, transformação e construção respondem por 9,8%, 9,1% e 5,4% da economia capixaba

Públicado em 

22 mar 2023 às 00:25
Pablo Lira

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Pablo Lira

O Sistema de Contas Regionais (SCR) se caracteriza como uma rede nacional de pesquisa que é coordenada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e objetiva calcular e disponibilizar informações sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de cada Unidade da Federação (UFs) em parceria com órgãos e secretarias estaduais de estatística. O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) participa ativamente dessa rede nacional de estudos.
De acordo com os dados do SCR de 2020, a indústria respondia por 22,5% do Valor Adicionado Bruto (VAB) do Brasil. O VAB é uma medida que representa o quanto cada setor de atividade econômica (primário, secundário e terciário) acresce ao valor final de tudo que foi produzido em uma determinada região. O PIB resulta da soma dos VABs setoriais e dos impostos.
Considerando que o setor secundário tem uma participação relativa de quase 1/4 na economia nacional, a seguinte pergunta é suscitada: quais são os estados que apresentam um peso maior da indústria?
Para responder essa questão, os dados de 2020 do SCR são tomados como referência no gráfico apresentado nesse artigo. Os cinco estados com maior representatividade da indústria são Pará (42,5%), Amazonas (37,3%), Minas Gerais (27,6%), Espírito Santo (27,4%) e Santa Catarina (27,0%). A atividade industrial nessas UFs supera a média nacional. Paraná (26,0%), Rio de Janeiro (24,0%), Goiás (23,6%) e Rio Grande do Sul (23,2%) também se encontram nessa condição.
Coluna
Crédito: Reprodução
Não é recomendável pegar essas informações e sair por aí tentando gerar polêmicas superficiais, leituras enviesadas, análises sobrevalorizadas, apocalípticas ou pejorativas sobre as UFs. Por conta de particularidades das estruturas produtivas e especificidades geográficas, esses dados devem ser analisados com cautela, transparência e responsabilidade.
Por exemplo, chama atenção a expressividade do setor secundário do Pará. É importante ressaltar que somente a indústria extrativa representa 29,3% da economia daquele estado, tendo como contribuição a mineração de níquel, alumínio, cobre e ferro. As indústrias de transformação e construção representam 4,4% e 4,0% da economia paraense, conforme aponta a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).
Apresentando um maior equilíbrio entre os segmentos industriais, o ES se destaca como o 4º estado com maior participação da indústria na composição de sua economia. Os segmentos da extrativa, transformação e construção respondem por 9,8%, 9,1% e 5,4%, respectivamente, da economia capixaba. O grupo de atividades industriais ligadas à eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação representam 3,1% de nossa economia.
Desde a última década, importantes empreendimentos, como o Estaleiro Jurong, Weg, Itatiaia, Marcopolo e outros, vêm contribuindo para agregar valor à produção no território capixaba. Essas indústrias favorecem a participação relativa da indústria de transformação.
Insta salientar que os outros segmentos da indústria também são estratégicos para o desenvolvimento. Para os próximos anos e décadas é relevante o processo observado no ES de constante modernização e otimização da extrativa, bem como da construção e do grupo de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação. Ao mesmo tempo, a atração e expansão de empreendimentos da indústria de transformação tendem a reforçar o processo de maior agregação de valor e diversificação da economia.
Nesse sentido, com a intensificação dos mencionados movimentos as bases de um novo ciclo de desenvolvimento estão sendo consolidadas no  Espírito Santo, no qual o setor secundário seguirá avançando em um processo de diversificação, sofisticação e modernização.

Pablo Lira

É doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo, pesquisador do Instituto Jones dos Santos Neves e professor da UVV. Escreve às quartas

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