A expressão economia "rurbana" é bem nova. Bem própria do que intenta mostrar, é a combinação, que pode ser vista também como integração com maior proximidade, entre as atividades exclusivamente rurais, portanto, do campo, com atividades tipicamente urbanas. Trata-se de um fenômeno já bem abrangente, inclusive territorialmente, com forte vinculação com os avanços tecnológicos e inovações deles decorrentes.
Evidências desse novo fenômeno podem ser observadas quando analisamos o desenvolvimento das economias da maioria dos municípios interioranos do Espírito Santo, especialmente os de pequeno e médio tamanho. Ocorre, internamente nesses municípios, um crescimento das interações não somente econômicas, de troca de serviços e mercadorias, mas também sociais e culturais entre pessoas do campo e da cidade. É o que poderíamos chamar de animação localizada, ou especializações localizadas, que ganha força com empreendedorismo, com inovações nas relações econômicas e nas formas de se fazer e gerir os negócios.
Mas o lado mais interessante desse processo é que ele vem provocando, embora ainda lentamente, uma melhor distribuição regional da riqueza produzida e consequentemente também da renda. Pela primeira vez desde a década de 70 o PIB metropolitano tem reduzido a sua participação em relação às demais regiões do Estado por um período de tempo mais longo. Atingiu o ponto de maior concentração em 2004, com a participação de 64%. De lá para cá, em sucessivas quedas, chegou em 2019 a representar 55%.
As regiões de Caparaó, Central Serrana – centrada em Santa Tereza – e Sudoeste Serrana – centrada em Venda Nova do Imigrante - são exemplos de territórios que têm avançado em suas participações relativas no PIB estadual, mesmo que de forma diminuta. E o que é mais importante, mostrando mais vitalidade, diversificação e sofisticação das suas economias. Esses territórios estão conseguindo reter e fazer girar localmente o que se produz de riqueza.
Há um fator a ser destacado como facilitador e qualificador desse processo: a interiorização da educação superior. E isso, principalmente através dos Ifes – Institutos Federais de Educação, que hoje se encontram espalhados por todo o Espírito Santo. Adicionam-se a estes instituições privadas de ensino superior que também chegaram ao interior.