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Economia

Efeito petróleo no PIB capixaba

O Espírito Santo mais que dobrou a produção entre 2009 e 2010, passando de 37 milhões de barris para 83 milhões. Adicionando-se o efeito preço e câmbio, o salto chegou a 125%

Publicado em 21 de Janeiro de 2023 às 00:01

Públicado em 

21 jan 2023 às 00:01
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Barril de Petróleo
Barril de Petróleo Crédito: Shutterstock
Em vários dos meus últimos artigos venho chamando a atenção para dois fenômenos que podem nos ajudar a explicar o comportamento do PIB capixaba, especialmente nessas duas primeiras décadas do século XXI. São eles: a baixa complexidade econômica e a desautonomia relativa. Os dois são conectados e funcionam como uma espécie armadilha que de certa forma nos aprisiona.
Elas nos aprisionam pois ao mesmo tempo que podem nos inebriar com saltos espetaculares no crescimento da economia, como em 2010 (15%), quando o PIB da Extrativa Mineral cresceu 118%, quanto nos decepcionar, quando o PIB gerado por esse mesmo setor decresceu 48% em 2009, levando o PIB total a uma queda de 6,7%.
Esses dois fenômenos podem nos levar a indicadores bem diferentes do desempenho da economia, a depender do que tomamos como pontos de partida e de chegada. Vamos então partir da hipótese, que considero adequada, de que o anos de 2020 deva ser considerado como um ano fora da curva, por conta do efeito Covid-19, tratado como causalidade totalmente imprevisível. Fixando-nos em 2019 como ponto de chegada e flexibilizando em 2009 e 2010 como pontos de partida, vamos chegar aos seguintes resultados: crescimento do PIB real de 19% partindo de 2009 e de apenas 3,5% partindo de 2010. Uma diferença brutal.
A explicação para os grandes saltos ou quedas é até relativamente simples. Tomemos especificamente o caso do petróleo. O Espírito Santo mais que dobrou a produção entre 2009 e 2010, passando de 37 milhões de barris para 83 milhões. Adicionando-se o efeito preço e câmbio, o salto chegou a 125%: de R$ 5,9 bilhões para R$ 13,2 bilhões em valor da produção.
Mas a explicação que interessa mesmo está em se saber como isso tudo se transforma em PIB, e mais, em PIB apropriado localmente. É precisamente aqui que entra a questão da “desautonomia relativa”. Não é uma explicação simples. Vamos ter o trabalho de separar a “superfície” do PIB da sua “essência”.
Para isso vou recorrer à leitura da matriz de insumo produto de 2015. A última disponibilizada pelo IBGE. Lá podemos ver efetivamente como o PIB é produzido e distribuído. Naquele ano o setor de petróleo gerou de valor bruto cerca de R$ 25 bilhões, dos quais R$ 10,7 bilhões foram transformados em VAB – Valor Adicionado Bruto – PIB. Ou seja cerca de 10% do PIB estadual. Já indo ao ponto que interessa, desse PIB, 83% (R$ 8,9 bilhões) foram distribuídos sob a forma de “excedente operacional bruto e rendimento misto bruto”. Um nome bem complexo, mas que sinaliza que esse valor nem tocou o solo capixaba.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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