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Economia

Da queda de natalidade ao endividamento de países, as macrotendências de 2022

Outra tendência vem da evidência de que o “mundo físico importa”, isso como contraponto ao se achar que o mundo se tornará definitivamente digital

Publicado em 08 de Janeiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

08 jan 2022 às 02:00
Orlando Caliman

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Orlando Caliman

É comum em início de ano jogar os olhares para as tendências com maior probabilidade de impactarem o desfecho do ano que se inaugura. Se especificamente para o Brasil a eleição presidencial em outubro caminha para se transformar no fator decisivo e definidor para o ano, para o mundo, fatores de grande relevância, sobretudo catapultados pela pandemia globalizada, definirão o cenário mais amplo, global. Presumindo-se, no entanto, de antemão, que também o nosso país, enquanto parte inerente desse mesmo cenário, estará sujeito às suas influências.
Em artigo publicado no jornal Valor desta segunda-feira sob o sugestivo título de “Dez Tendências que Podem Definir 2022”, o estrategista chefe global da Morgan Stanley Investment Management, Ruchir Sharma, chama a atenção para evidências mais robustas já em curso e que poderão dar a direção do mundo para este ano. Vou me ater a apenas três delas, por considerá-las de maior destaque enquanto potencial de impacto.
A primeira delas diz respeito a questão demográfica, com forte potencial de impacto na força de trabalho dos países. A população global, que já vinha crescendo a taxas decrescentes, amplia a velocidade de queda em decorrência de duas variáveis-chave: aumento da taxa de mortalidade e redução da taxa de natalidade. Os dois movimentos acelerados pela Covid.
Ruchir chama o fenômeno da queda mais acentuada da natalidade de “baby bust” – queda no número de bebês - , em contraponto com o “baby boom” logo após a Segunda Guerra. Isso tem implicações futuras na força de trabalho que já vinha em queda em vários países. Hoje já são 51 países cujas forças de trabalho estão em queda, ante 17 antes da pandemia.
Outra tendência ressaltada por Ruchir aponta para o que ele chama de “Armadilha da Dívida”. Que soa como alerta para o Brasil. Segundo dados levantados por Ruchir temos hoje no mundo cerca de 25 países, incluindo-se EUA e China, cujas dívidas já ultrapassam 300% do PIB. Fato inexistente na década de 90. Esse colossal volume de dívidas alimenta um enorme mercado de ativos financeiros que equivale a algo em torno de quatro vezes o PIB mundial. Ou seja, temos aí uma bolha de riqueza fictícia que carrega consigo o riscos de explosões.
A terceira tendência, segundo minha ordem, vem da evidência de que o “mundo físico importa”, isso como contraponto ao se achar que o mundo se tornará definitivamente digital. Mesmo na perspectiva do “metaverso”, não se pode perder de vista que para cada avatar sempre haverá um humano ou mais por detrás das cenas.
Mas, no Brasil, o que poderá fazer a diferença mesmo é o evento da eleição presidencial.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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