Do ponto de vista da economia, nada indica que vamos ter um ano melhor em 2023 do que o que se finda agora. Objetiva e racionalmente falando, se 2022 está sendo melhor do o que esperado no seu início, o seu final, no entanto, já nos dá a dica de que numa perspectiva que combina curto e médio prazos não enxergamos boas notícias no horizonte. Provavelmente, em graus de intensidades diferentes, esse cenário de dificuldades se confirmaria independentemente de mudança de governante.
Mas, como em decisões de humanos nem tudo se projeta e se move pela governança da razão, é possível que no imaginário das pessoas possam ser produzidos cenários mais coloridos e leves do que a realidade possa apontar. Certamente alimentados mais por lufadas de desejos e esperanças do que evidências expostas pela realidade possam indicar. Algo que pode ser interpretado como uma espécie de via de escape ao confronto com a realidade nua e crua.
Faço esse preâmbulo numa tentativa, mais do que explicar, justificar o título do artigo de hoje, que foi extraído da leitura de uma pesquisa realizada pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) neste dezembro, que apontou que 76% das pessoas pesquisadas têm expectativas positivas para o ano de 2023, ante 23% apenas de negativas. E mais, numa perspectiva pessoal e familiar, 74% das pessoas apostam num próximo ano melhor do que 2023.
Dizem que o brasileiro é sempre otimista mesmo por mais controversa e árdua que a vida se lhe apresente. Ou será que o espírito do Natal está a contaminar mentes e corações numa confluência de esperança, alegria e confiança em relação ao futuro mais próximo? Aliás, foram esses os atributos mais indicados pelos pesquisados como fundamentos do otimismo: 38% na esperança, 19% na alegria e 13% na confiança.
Para chegar a esses resultados, A Febraban, no seu Radar Febraban, que normalmente é feito anualmente, ouviu 3 mil pessoas nas cinco regiões do país, demonstrando assim um alto grau de assertividade estatística. Os resultados, mesmo que supostamente sob a aura do espírito do Natal, sem dúvida, já antecipa o “estado” de humor e “confiança” do brasileiro em relação ao ano que brevemente se inaugura.
Segundo nos ensina a economia comportamental, uma dentre tantas correntes teóricas mais atuais, o “estado” de bom humor e expectativas positivas entram como fatores importantes a influenciar as decisões econômicas e o bem-estar das pessoas mesmo em situações adversas.
Que o espírito do Natal continue a inspirar 2023!