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Brasil

Em 2022, venceu mais a democracia do que a economia

Um cenário que tende a ser agravado pela PEC da transição, que é como está sendo chamada a PEC que autoriza o governo, novamente, furar o já furado teto de gastos

Publicado em 17 de Dezembro de 2022 às 00:10

Públicado em 

17 dez 2022 às 00:10
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Levando-se em conta que num pais como o Brasil até o passado é incerto, inclusive podendo revelar-nos surpresas mais adiante no tempo, mesmo assim, numa síntese retrospectiva, não hesitaria em classificar 2022 como um ano bom, e até surpreendente. Primeiramente, no campo da política, com as instituições que fundamentam a democracia se mostrando sólidas. Ou seja, venceu a democracia.
Surpresa também na economia, com expectativas colocadas no início do ano sendo superadas, contando para tanto com a ajuda de uma verdadeira bateria de incentivos cujas consequências veremos no próximo ano. No início do ano, poucos se arriscavam a acreditar num crescimento do PIB acima de 2%. Em outubro o FMI (Fundo Monetário Internacional) previa um crescimento de 2,8% para o Brasil. Deverá chegar a 3%.
Sem dúvida, um crescimento que pode ser avaliado como muito positivo diante de um histórico ruim que vem desde 2015. Mas nada que seja também algo fora da curva em comparação com o crescimento da economia mundial e também de alguns países ou blocos econômicos. O FMI, na sua última estimativa, prevê um crescimento de 3,2% para 2022 no mundo. Já para a área do Euro, 3,1%; para os emergentes, 3,7%; e para os países caracterizados como de renda média, entre os quais o Brasil, 3,7%. Ou seja, estamos abaixo dos nossos principais concorrentes. Que é o que interessa.
O lado bom é que o bom desempenho da economia brasileira também ajudou a reduzir a relação entre a dívida bruta do governo e o PIB. Deverá fechar o ano no patamar próximo a 75%. Menor valor desde 2017. O problema é que esse bom desempenho na economia em 2022, por ter sido alimentado muito fortemente por custos tributários, consequentemente, redução de receitas correntes e aumentos nos gastos públicos, deixará como legado para o próximo ano elementos de perturbação no campo fiscal.
Um cenário que tende a ser agravado pela PEC da transição, que é como está sendo chamada a PEC que autoriza o governo, novamente, furar o já furado teto de gasto. Nos últimos três anos o “furo” já atinge R$ 775 bilhões.
E, pensando em perspectivas, como já afirmei em outro artigo neste mesmo espaço, o legado do crescimento da economia em 2022 será um menor crescimento em 2023. É o custo a ser pago.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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