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Trânsito

Jovens, álcool e direção: Lei Seca não pode perder o fôlego

A violência no trânsito é a maior causa da morte de jovens entre 15 e 29 anos no mundo. A Lei Seca existe e é forte! O que não pode andar frouxa é a fiscalização dessa importante lei

Publicado em 27 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

27 dez 2021 às 02:00
Nylton Rodrigues

Colunista

Nylton Rodrigues

Duas pessoas morreram e outras quatro ficaram ferida em acidente na Fernando Ferrari, em Vitória
Duas pessoas morreram e outras quatro ficaram ferida em acidente na Fernando Ferrari, em Vitória Crédito: Vinícius Zagoto
No último mês de 2021, uma tragédia na cidade de Vitória chocou e comoveu a todos. Após uma comemoração de aniversário, dois jovens morreram e quatro ficaram feridos em um grave acidente de trânsito na descida da Ponte da Passagem. Esse enredo infelizmente não é novo e, tão pouco, incomum. A violência no trânsito é a maior causa da morte de jovens entre 15 e 29 anos no mundo. No Brasil, ela é responsável pela morte de mais de 30 mil pessoas todo ano. No mundo, mais de 1,2 milhão de pessoas perdem a vida anualmente em acidentes de trânsito. No Espírito Santo, de janeiro a outubro de 2021, 650 vidas foram perdidas em acidentes de trânsito, número 11% superior ao mesmo período de 2020.
Dirigir alcoolizado e o excesso de velocidade são as principais causas dessas tragédias entre jovens. Dirigir e utilizar o celular para enviar mensagens também aparece como uma das grandes causas de acidentes entre jovens. Aliás, dirigir e ler mensagens no celular aumenta em 23 vezes o risco de envolvimento em acidentes.
O consumo do álcool reduz a acuidade visual e os reflexos. Diminui, também, a capacidade de discernimento, podendo provocar comportamentos que em situações normais não ocorreriam: o excesso de velocidade e a inobservância do uso do cinto de segurança. Beber e dirigir expõe as pessoas a uma situação de extremo risco, por isso a lei 11.705 de 2008, popularmente conhecida como “Lei Seca”, passou a proibir a condução de veículos automotores com concentração de seis miligramas de álcool por litro de sangue. Ela foi a primeira lei que alterou o Código de Trânsito Brasileiro para determinar o teor alcoólico necessário para caracterização do crime. Em 2012, os limites para a concentração de álcool no sangue do condutor foram diminuídos, sob uma política de tolerância zero.
É preciso alertar que mesmo que os efeitos da embriaguez tenham passado, não quer dizer que o álcool foi eliminado completamente do organismo. Segundo especialistas, as técnicas usadas para acelerar a eliminação do álcool, como ingerir café, tomar aspirina ou um banho gelado, não funcionam. Além disso, o tempo de eliminação do álcool do sangue varia de acordo com características como peso, idade e sexo.
A Lei Seca existe e é forte! O que não pode andar frouxa é a fiscalização dessa importante lei. Os números de mortes no trânsito são dramáticos e destroçam o coração de famílias inteiras. Essa triste realidade impõe prioridade absoluta na fiscalização e nas campanhas educativas. As blitze da Lei Seca não podem perder fôlego e devem seguir uma rotina operacional permanente e estratégica. Os governos devem estar sempre buscando a elaboração de novas estratégias, mais rigorosas, específicas, campanhas de conscientização e dura fiscalização do consumo de álcool por motoristas.
Essa violência no trânsito tira abruptamente a vida de quem bebeu e também de quem não bebeu, e leva ao sofrimento, imensurável, muitos pais, mães, familiares e amigos. É fundamental que cada um faça bem a sua parte, pensando com antecedência e planejando uma forma segura e legal de sua locomoção ao beber.
Para conscientizar a população sobre a violência, em suas diversas manifestações, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou o dia 30 de janeiro como o dia internacional da não violência, em homenagem à morte do pacifista Mahatma Ghandi, que nos deixou reflexões, como: “Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto continua fazendo o errado em outra. A vida é um todo indivisível”. Beber e dirigir é como escolher sua última batida em dose única. Portanto, se beber, não dirija!

Nylton Rodrigues

Foi secretário estadual de segurança pública e comandante geral da polícia militar. É especialista em Segurança Pública pela Ufes. Neste espaço, produz reflexões sobre políticas públicas para garantir a segurança da população

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