Concursos e premiações fazem parte do mundo do vinho. Assim como as pontuações dadas pelos críticos especializados, eles são importantes para atestar e classificar a qualidade do produto. A ideia é conceituar o rótulo de acordo com a reunião de suas qualidades, mais ou menos como quando a gente faz a análise de um vinho com um exame visual e depois checamos seus aromas e sabores.
Porém, existem técnicas para isso, e não são todos que estão aptos para esse julgamento. Até porque a avaliação de um vinho através da atribuição de notas por um crítico ou uma publicação renomada pode alavancar suas vendas, ou, quando negativa, destruir sua reputação. É uma enorme responsabilidade.
Normalmente, as pontuações ou medalhas aparecem como um selo extra colado na garrafa e também especificado na ficha técnica do rótulo. De fato, esses pontos podem significar muita coisa para alguns, são como uma espécie de indicação para o consumidor sobre qual rótulo ele deve degustar para estar em dia com o que há de bom no mercado. Funciona como uma referência de qualidade.
Já para outros, não querem dizer nada. Talvez estejam ali apenas para justificar o preço (um selo de 100 pontos vale também um aumento considerável no valor da bebida) e acumular dúvidas. Mas, no fundo, no fundo, os consumidores do dia a dia e os iniciantes no mundo do vinho esperam mesmo é que determinada avaliação signifique um menor risco de erro na escolha do rótulo. O selo com pontos ajuda nisso.
QUESTÃO DE GOSTO
Caímos aqui em uma discussão importante, que talvez seja a mesma da sua roda de confraria. Avaliar um vinho e pontuá-lo nada tem a ver com gostar do vinho. Vinho bom, infelizmente, não é aquele que a gente tem preferência e bebe com frequência. Paladar é antes de tudo uma questão de gosto pessoal, e cada bebida tem particularidades apreciadas de forma bastante subjetiva.
Por isso, muitas das avaliações são realizadas em degustações às cegas, com fichas padronizadas e detalhes dos aspectos dos vinhos analisados e pontuados separadamente, além de contar com avaliadores de credibilidade muito alta para pontuá-los de forma imparcial, considerando sempre os mesmos critérios básicos para um julgamento técnico e objetivo. É preciso habilidade e muito estudo para isso.
COMO FUNCIONAM AS PONTUAÇÕES
Existem vários sistemas de pontuação de vinhos ao redor do mundo. No geral, a classificação que atribui aos rótulos notas de 50 a 100 pontos é mais comum. Porém, outros críticos ou publicações podem também usar um sistema diferente.
Quando é utilizada a escala até 100, os pontos são divididos nas seguintes categorias: os que recebem pontuação entre 50 e 59 são considerados vinhos pobres; entre 60 e 69 são abaixo da média; entre 70 e 79 são vinhos médios; entre 80 e 89 são vinhos muito bons; entre 90 e 95 são considerados vinhos excelentes; e entre 96 e 100 estão os raros e extraordinários.
Esse sistema é adotado por publicações especializadas famosas, como a The Wine Advocate, do respeitado crítico americano Robert Parker; a Wine Spectator; a Wine Enthusiast; e a Wine & Spirits.
Voltemos à questão do gosto pessoal quando o assunto é vinho. Sem dúvida, as opiniões de Robert Parker ou de qualquer outro crítico nos ajudam a encontrar nossas afinidades e a entender melhor nosso paladar, nos dando, acima de tudo, experiência para degustar.
Mas quando se trata de indicações, a coisa fica um pouco mais complicada. Repare que as pontuações também repetem um estilo ou um perfil de vinho quando bem avaliado. É fácil encontrar sempre as mesmas características em um vinho com 90 pontos do Robert Parker - no geral são massivos, estruturados e amadeirados.
"Avaliar um vinho e pontuá-lo nada tem a ver com gostar do vinho. Vinho bom, infelizmente, não é aquele que a gente tem preferência e bebe com frequência. "
Dentro das técnicas de avaliação é um vinho bom? Sim, é, mas é importante saber que esse pode não ser o meu ou o seu estilo de vinho favorito, e tudo bem! Por isso, é sempre válido falar das escolhas, compartilhar e discutir as preferências.
Isso também vale para os produtores, que às vezes sacrificam a noção de terroir e origem para fazer vinhos de acordo com a opinião de determinados críticos ou publicações que, querendo ou não, influenciam muito o mercado.
NOVO MOMENTO
Robert Parker já até se aposentou, mas as notas “RP” e outras competições continuam avaliando e pontuando vinhos, o que continua sendo importante para identificar bons produtores e boas safras. Porém, mais do que isso, nós consumidores enófilos também vivemos um novo momento.
O mercado e alguns outros da roda de amigos precisam entender é que nos importamos cada vez menos com os selos que impressionam. Não é o rótulo que importa, queremos apenas vinhos que realmente se expressem na taça!
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