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Crônica

Tarrafas sociais, as subsidiárias das redes sociais

A nova empresa da família cuidaria de fornecer informações exclusivas para clientes interessados em FFF: fofocas, futricas e "façam-me-o-favor"

Públicado em 

09 out 2022 às 00:18
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

Redes sociais
Crédito: Amarildo
O tempo sobrando, a preguiça de ler Machado de Assis ou um Sidney Sheldon, que seja, provocou um importante desmembramento da imperatriz tecnológica, autoproclamadas “redes sociais”. Esse anjo da web que trouxe na barriga o Tesouro da Juventude, o dicionário Aurélio, os remédios caseiros para as cólicas menstruais e um carrinho de compras pra você sair gastando dinheiro sem botar o pé na rua. Tudo isso e Deus sabe mais o quê.
A vida seguia airosa e franca e eis que a cegonha traz o primeiro filho da dona das Redes Sociais. O moleque chegou para somar: “Puxou a mamãe aqui!”, disse Dona Redes cheia de orgulho. A ideia era ampliar o leque de ofertas da mamãe. E o filhote tornou-se gerente da subsidiária “Tarrafas Sociais”.
A nova empresa da família Sociais cuidaria de fornecer informações exclusivas para clientes interessados em FFF: fofocas, futricas e façam-me-o-favor. No cardápio apenas a clientela vip. Mas vip tipo mais ou menos. Exemplos: “Adriane Galisteu mostra botas que ganhou de Ayrton Senna”. Ou “Luana Piovani conta que está na menopausa”. Informações da maior importância para aqueles que desejam um dia morrer sabendo de tudo. Mas tudo mesmo, tipo “Regina Duarte dá chilique na tv ao ouvir críticas.”
E também “Rebeca Abravanel confessa que não usa produtos Jequiti”. São assuntos como esses que faziam falta no dia a dia dos deslumbrados. A vida insossa de todos virou coisa de um passado distante. Hoje eles podem dormir mais tranquilos quando leem que “Michele chama Bruna Marquezini de feia e vulgar.” Por outro lado tem sempre algumas notícias boas pra compensar: “Zezé de Camargo e Gracielli Lacerda compraram outro apartamento de luxo”.  E “Ronnie Von, aos 78 anos, faz sexo duas vezes por semana”. Que tudo!, como diria Jojo Todynho.
O crescimento do mercado arregalou os olhos de madame Sociais. Era preciso investir mais nesse amplo segmento. Ela então bateu na porta de um famoso CIO (Chief Innovation Officer). Madame sempre antenada. E desse casamento profissional nasceu o caçula da organização: o Puçás Sociais. O rebento tecnológico dirigido a raia miúda do mercado. Nele, os menos abonados vão encontrar o nome das ervas mais indicadas para tirar mau olhado, receitas de bolo de fubá e um grande achado para o verão tropical: “Construa você mesmo o seu ar-condicionado”.
Logo nos primeiros dias do Puçás uma grande dúvida tirou o sono do recém-inaugurado Puçás Sociais. Na diretoria vozes discordantes pressionavam para subtrair a cotação do dólar de suas páginas. Com certa razão. Quem, do baixo clero, se interessaria pela moeda americana? Depois de muita discussão deram fim ao dólar no site. Agora só cotam o Guarani. Uma pesquisa mostrou que os fregueses do Puçás Sociais têm um especial interesse no trade com o vizinho Paraguai.
Esse novo segmento da abençoada web não tem só prateleiras para o consumo físico. O humor tornou-se permanente naquele espaço. E vem dando um ótimo retorno. Piadas pesadas (campeãs), sem graça (vice-campeãs) e num honroso terceiro lugar aparecem as piadas que valem, senão uma gargalhada, mas pelo menos um risinho sacana. Como é o caso da “irmã cruel”. Numa foto uma linda mulher super produzida. Mas muito super mesmo. E de um mau gosto super-hiper. Na frente do espelho ela pergunta pra irmã: “Estou bem?”. A irmã pega pesado: "Você vai arrasar na festa!” E, inocente que só ela, sai pra balada pra cair no ridículo.
O Puçás garante que toda mulher malvestida é vítima da irmã cruel.

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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