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Crônica

O seu voto tem valido a pena?

Será que o candidato que você ajudou a eleger passaria, por exemplo, numa prova do Enem? Será? Ele saberia o que vem a ser e para que serve o hidrogênio verde? Pelo menos, já ouviu falar? Ou quantas escolas de ensino primário tem o Espírito Santo?

Publicado em 22 de Janeiro de 2023 às 00:18

Públicado em 

22 jan 2023 às 00:18
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

Crônica
Crédito: Amarildo
Qual é a sua opinião sobre o desempenho dos candidatos que você ajudou a eleger nos últimos anos? Especialmente aqueles que transitam pelas mesmas avenidas que nós, que conhecem de cor cada buraco no asfalto e que também vivem assustados com a bandidagem, roubando, matando levando diariamente a dor e o pânico à população. Teoricamente, gente como a gente. Com uma grande diferença: com o seu voto e de muitos outros, essas excelências ganharam um assento nobre nos tronos do poder. O lugar escolhido por eles para buscar dias melhores para todos nós.
Há quantos anos você vem apostando no desempenho, por exemplo, de alguns deputados estaduais e vereadores? Há quantos anos você entrega para eles a remuneração que eles querem e a chave do poder? De paletó e gravata, sempre seguros de si eles seguem tocando o barco como bem entendem. Afinal eles podem bater palmas para alguns malfeitos de colegas de partido, eles podem escolher, por desconhecimento talvez, a solução menos adequada para um problema maior ou podem fechar os olhos e não fazer absolutamente nada.
Não, não ligue se o vocabulário deles deixar a desejar. O mais importante é o trabalho sério e comprometido com seus eleitores. Ninguém é perfeito, claro. Talvez o seu candidato desconheça o significado de algumas expressões pouco usuais. Tipo resiliente, tergiversar, solilóquio, sacripanta, janota... E daí? Um problema que se corrige com a boa leitura. A propósito, o seu candidato tem o hábito de ler? Se você lhe soprar um nome, Monteiro Lobato por exemplo, ele saberá de quem se trata?
Será que o candidato que você ajudou a eleger passaria, por exemplo, numa prova do Enem? Será? Ele saberia o que vem a ser e pra que serve o hidrogênio verde, que a White Martins começou a produzir? Pelo menos, já ouviu falar? Ou quantas escolas de ensino primário tem o Espírito Santo? Quantos alunos? Qual é a remuneração inicial de um professor primário? O que é preciso fazer para tornar mais eficiente o atendimento nas Upas? Se ele tem votos no sul do estado é provável que ele saiba porque São José do Calçado tem esse nome. Não vai melhorar em nada o seu desempenho parlamentar. Mas conhecimentos gerais são sempre muito bem-vindos.
Permita-me que eu me meta a gato mestre: para se exercer bem um mandato político, é aconselhável seguir os passos de uma mãe zelosa: dedicação, perseverança e trabalho. Muito trabalho. E prestar atenção no que disse Pablo Neruda a todos aqueles que gostariam de se tornar escritores: “Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto. No meio você coloca as ideias”.
Eis aí o “x” da questão. Se o parlamentar que você elegeu é competente, espera-se que ele tenha boas ideias. E se esse for o caso do seu eleito, imagino que ele já deverá ter encontrado, por exemplo, uma solução mais inteligente para uma melhor convivência entre os quiosqueiros e os ambulantes da Curva da Jurema. Será?

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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