A melhoria, a humanização e a sustentabilidade do trânsito na região da Praia do Canto só virão com o binário, com vias de mão única. Faço essa afirmação com base no estudo elaborado pelos técnicos da Prefeitura de Vitória há mais de dez anos. Na ocasião, como membro do Conselho do PDU, participei do grupo de trabalho que debateu e aprovou o estudo do binário no referido bairro.
No entanto, como costuma acontecer no setor público, decorrido todo esse tempo o projeto até hoje não saiu do papel.
Hoje, nas horas de maior de tráfego os engarrafamentos são insuportáveis. Principalmente no cruzamento da Reta da Penha com a Av. Rio Branco e no acesso à Santa Lúcia pela Rua José Teixeira, via que inicia com três faixas de tráfego, que viram duas e depois apenas uma – um contrassenso.
O problema do trânsito nessa região se tornou tão grave que passou a exigir medidas realmente eficazes.
Sabemos da resistência de alguns moradores ao binário – basicamente os que não querem contornar um quarteirão para acessar a sua residência. Mas hoje o problema na Praia do Canto e em Santa Lúcia ficou tão grave que a implantação do binário não pode mais ser postergada.
Para aquilatarmos os bons resultados do binário, basta tomarmos como exemplo o funcionamento do tráfego na nossa vizinha (e mais populosa) Vila Velha – onde há predominância da mão única – como também no bairro Jardim Camburi, nesta capital, onde o binário foi há pouco tempo implantado.
Apenas para o leitor fazer a sua própria avaliação, vou alinhar as principais vantagens da mão única de tráfego (binário): 1. Eliminação de semáforos de três tempos, represadores do tráfego e perigosos para pedestres e ciclistas; 2. Eliminação das rotatórias nos cruzamentos onde se tornaram incompatíveis com o atual volume de tráfego; 3. Criação de espaços livres nas ruas para possibilitar a demarcação de ciclorrotas (na própria pista asfáltica), mais espaço para pedestres e usuários de veículos elétricos de duas rodas. Enfim, propiciar melhoria, humanização e sustentabilidade do tráfego nessa região da cidade.
A implantação da mão única de tráfego em Jardim Camburi já comprovou as vantagens dessa solução viária. E não se trata de obra cara nem que causaria maiores transtornos aos moradores.
Que a Prefeitura de Vitória, a exemplo da orientação que adotou para a ciclovia da Praia do Canto, reavalie o assunto e encare mais esse desafio.
Será um importante passo em benefício de uma mobilidade sustentável e da melhoria da qualidade de vida nesses dois bairros.