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Eleições 2024

(Quase) todos com Euclério em Cariacica

Prefeito do União Brasil atrai antigos adversários e se fortalece para a reeleição em 2024. Mas nem todos estão ao lado dele. Enquanto isso, o PT está dividido

Publicado em 30 de Março de 2023 às 08:52

Públicado em 

30 mar 2023 às 08:52
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Euclério Sampaio , candidato  a prefeito de Cariacica, participando do debate de Agazeta, em Vitória
Euclério Sampaio em debate realizado por A Gazeta nas eleições de 2020 Crédito: Ricardo Medeiros
A maioria dos 13 adversários que disputaram o primeiro turno das eleições de 2020 contra Euclério Sampaio (União Brasil) hoje apoia o prefeito de Cariacica. O chefe do Executivo municipal tem ainda o governador Renato Casagrande (PSB) como aliado.
Como a coluna mostrou, o ex-vereador Adilson Avelina (Podemos), que disputou a prefeitura no último pleito e pediu votos para Euclério no segundo turno, é o novo subsecretário de Habitação da cidade. 
E o PSB de Cariacica, que tinha uma posição diferente da de Casagrande, agora integra a base aliada do atual prefeito. Tal aliança vai da centro-esquerda à (extrema) direita.
Tenente Assis, que foi candidato a prefeito em 2020, também já declarou apoio à reeleição de Euclério. O militar do Corpo de Bombeiros concorreu, na ocasião, pelo PTB de Roberto Jefferson.
Marcos Bruno (Rede), diretor-presidente da Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros (Ceturb), é outro integrante da lista de ex-adversários do prefeito de Cariacica.
Dos citados neste texto, o que teve melhor desempenho nas urnas em 2020 (com exceção de Euclério, obviamente), foi Assis. Ele ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 18.884 votos (11,48%). 
O prefeito, contudo, convidou até Avelina, escolha de apenas 4.522 eleitores (2,75%) para fazer parte da gestão. 
Logo, a ideia é formar uma frente ampla.
O subsecretário de Habitação avaliou, em conversa com a coluna, que "política é como nuvem", citando Magalhães Pinto, mas que, hoje, o prefeito está bastante fortalecido, do ponto de vista das costuras políticas. Tanto que Avelina nem sabe se Euclério vai mesmo precisar da ajuda dele para se reeleger.
NEM TODO MUNDO
Como explicitado no início da coluna, a maioria dos adversários de 2020 agora apoia o prefeito de Cariacica. Não todos. 
"É comigo que ele tem mais medo de disputar. E o meu apoio ele não vai ter", provocou Célia Tavares (PT), em entrevista à coluna. A petista enfrentou Euclério no segundo turno do último pleito.
Ela foi secretária municipal de Educação, na gestão de Helder Salomão (PT). Em 2020, recebeu 67.111 votos (41,31%). Foi superada pelo candidato do DEM (que depois se fundiu ao PSL e virou União Brasil), que alcançou 95.356 (58,69%).
Célia diz que não fica atacando o prefeito "o tempo inteiro": "Não é meu perfil". Mas critica a gestão municipal.
"Defendemos projetos políticos diferentes. Ele (Euclério) alterou a legislação sobre eleição de diretor de escola, que era uma escolha democrática. Alterou para ele fazer indicação através de lista tríplice. E instituiu a lei da mordaça no município, os funcionários são vigiados nas redes sociais. Não adianta chegar de madrugada à prefeitura, como ele posta na rede social, se questões estruturantes não são tratadas", pontuou.
O PT, entretanto, não é, oficialmente, oposição ao prefeito. O partido não chegou a se reunir para definir um posicionamento.
PT X PT
O presidente do PT de Cariacica é André Lopes, vereador da cidade. Ele, ao contrário de Célia, apoia Euclério Sampaio.
"Nosso mandato apoia as ações que a gente julga serem boas para o município e são muitas as ações. No primeiro ano do governo Euclério, o orçamento da cidade dobrou. De fato, a gente tem uma posição de votar junto com os projetos do prefeito", afirmou Lopes.
"O partido não foi chamado a deliberar sobre isso, o que é conveniente para o presidente municipal. Não tenho dúvida que o partido deliberaria por fazer oposição", avaliou Célia Tavares.
Célia Tavares, candidata  a prefeita de Cariacica, participando do debate de Agazeta, em Vitória
Célia Tavares em debate realizado por A Gazeta nas eleições de 2020 Crédito: Ricardo Medeiros
Em Cariacica, pode ser que a maioria dos petistas, saudosos do legado de Helder, hoje deputado federal, oponha-se ao atual prefeito.
No estado, porém, o PT e o União Brasil de Euclério fazem parte do mesmo grupo político, alinhados ao governador Renato Casagrande. 
O presidente estadual do União, Felipe Rigoni, é o secretário de Meio Ambiente. O ex-deputado estadual petista Nunes é o titular de Esportes na gestão do socialista.
Célia Tavares crava que o PT vai ter um candidato, ou candidata, em 2024 para concorrer com o atual prefeito. Falta, segundo ela, apenas definir o nome, mas já se coloca à disposição.
Enquanto isso, André Lopes, que acumula dissabores com o partido desde o ano passado, quando não conseguiu espaço para disputar as eleições, avalia sair da sigla.
"Tem uma grande possibilidade de eu não permanecer no partido, mas ainda estamos amadurecendo a ideia", contou.
EUCLÉRIO: "NÃO QUERO ANTECIPAR UMA GUERRA"
A coluna procurou o prefeito Euclério Sampaio. Ele retornou a ligação após a publicação deste texto. O prefeito de Cariacica não se diz pré-candidato à reeleição, como é de praxe a esta altura do campeonato. Mas pretende disputar, sim.
Ele afirmou que desde o início do mandato busca unir forças na cidade, não apenas de olho em 2024:
"Eu busco a união. Briga não é bom para a cidade. Claro que, se eu for candidato à reeleição (ter o apoio de antigos adversários) facilita, mas não quero falar disso agora. Não quero antecipar uma guerra".
Euclério avalia ter, hoje, o apoio de todos os 19 vereadores de Cariacica.
E rebateu Célia Tavares. "Ela vai fazer crítica sempre, não é por interesse da cidade. Ela não sabe nem onde é Cariacica. Mas faz parte de uma pequena minoria do PT", alfinetou.
"Ela falou da falta de coisas estruturantes. Em oito anos (da gestão de Helder Salomão), quantas obras estruturantes do PT fez? Em dois anos, já fizemos muita coisa. Vamos inaugurar a orla municipal no final do ano, tem o mercado municipal, a Avenida América, o Parque da Biquinha, o viaduto que já vou dar ordem de serviço...", complementou.
A maior parte desses investimentos é feita pelo governo estadual. Como é aliado de Casagrande, Euclério colhe os louros. "O governo Casagrande é parceiraço nosso", afirmou o prefeito, ao ser lembrado desse "detalhe".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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