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Lista tríplice

O fim de uma era no Ministério Público do Espírito Santo

Promotores e procuradores de Justiça elegeram, na sexta-feira (22), três nomes. O governador Renato Casagrande (PSB) vai escolher o novo procurador ou procuradora-geral

Publicado em 23 de Março de 2024 às 08:32

Públicado em 

23 mar 2024 às 08:32
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

Os integrantes da lista tríplice para a Procuradoria-Geral de Justiça do MPES: Francisco Berdeal, Maria Clara Mendonça Perim e Pedro Ivo de Sousa
Os integrantes da lista tríplice para a Procuradoria-Geral de Justiça do MPES: Francisco Berdeal, Maria Clara Mendonça Perim e Pedro Ivo de Sousa Crédito: Divulgação/MPES
A definição sobre quem vai ser o novo procurador-geral ou nova procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) vai ocorrer em breve. Já está nas mãos do governador Renato Casagrande (PSB) a lista com os três nomes eleitos, na sexta-feira (22), por promotores e procuradores de Justiça.
Cabe ao chefe do Executivo estadual escolher qual deles vai comandar a instituição pelos próximos dois anos: Pedro Ivo de Sousa, Francisco Martínez Berdeal ou Maria Clara Mendonça Perim.
O resultado da eleição já permite concluir, contudo, que uma era chegou ao fim no MPES, pois nenhum desses nomes é ligado ao ex-procurador-geral de Justiça Eder Pontes.
Desde 2021, ele é desembargador do Tribunal de Justiça (TJES) e não apoiou, declaradamente, nenhum dos seis candidatos à lista tríplice. Nos bastidores, porém, sabe-se que o favorito do ex-procurador-geral era o promotor de Justiça Danilo Raposo Lírio, que ficou em penúltimo lugar e, assim, não foi eleito.
OS VOTOS DE CADA UM
  • Pedro Ivo de Sousa, promotor de Justiça - 146 votos
  • Francisco Martínez Berdeal, promotor de Justiça - 132 votos
  • Maria Clara Mendonça Perim, promotora de Justiça - 97 votos
  • Marcello Souza Queiroz, procurador de Justiça - 82 votos
  • Danilo Raposo Lírio, promotor de Justiça - 64 votos
  • Josemar Moreira, procurador de Justiça - 26 votos
O grupo de Eder Pontes comanda o Ministério Público do Espírito Santo ao menos desde 2012, quando Pontes iniciou o primeiro mandato como procurador-geral. Naquele ano, ele figurou na lista tríplice e foi escolhido pelo governador Paulo Hartung (então filiado ao MDB). Em 2014, tentou a reeleição, emplacou na lista e foi reconduzido por Casagrande.
Quem sucedeu Pontes foi Elda Spedo (2016-2018), aliada dele. Em 2018, Eder Pontes voltou ao comando, ficou até o fim do mandato, em 2020 e, no ano seguinte, foi para o TJES.
A influência dele na instituição, contudo, não cessou. A partir de 2020, a promotora de Justiça Luciana Andrade assumiu a procuradoria-geral de Justiça. Ela era aliada de Eder Pontes. De 2012 a 2020, alternou-se nos cargos de secretária-geral e chefe de apoio ao gabinete do procurador-geral de Justiça.
Andrade candidatou-se novamente ao cargo em 2022. Aliás, foi a única inscrita para a eleição da lista tríplice na ocasião e, obviamente, eleita pela classe e reconduzida por Casagrande.
No pleito de 2024, entretanto, Luciana Andrade, que já não poderia tentar a reeleição, apoiou um nome diferente do escolhido por Pontes para a Procuradoria-Geral de Justiça: Francisco Berdeal, que é secretário-geral na gestão dela.
Foi um racha no grupo, apesar de isso não ser admitido publicamente.
Eder Pontes chegou a participar, no ano passado, de um almoço com membros do MPES em que houve a defesa da candidatura de Danilo Raposo. Luciana Andrade, por sua vez, deu destaque a Berdeal nos eventos realizados pela Procuradoria-Geral na pré-campanha.
A OPOSIÇÃO
Outra coisa que chama a atenção na formação da lista tríplice é que dois dos integrantes fazem oposição à atual gestão. Ex-presidente da Associação Espírito-Santense do Ministério Público (AESMP), Pedro Ivo de Sousa ficou em primeiro lugar, com 14 votos a mais que Berdeal.
Em terceiro, está a promotora Maria Clara Mendonça Perim, que atua na Serra.
Além das divisões Eder Pontes X Luciana Andrade e oposição X situação, há outro fator, nas entrelinhas, desta disputa.
Como publicou, recentemente, fotos nas redes sociais ao lado de figuras da direita, como o senador Magno Malta (PL), entretanto, é identificado como mais à direita. Além disso, ele é aliado do atual presidente da AESMP, Leonardo Cezar, que tem o mesmo perfil.
Maria Clara Mendonça Perim, por sua vez, faz oposição a Andrade, mas é mais moderada, uma pessoa de centro-esquerda, que defende a atuação mais incisiva do MPES em relação à (in) segurança pública no estado, por exemplo, mas sem seguir a cartilha bolsonarista.
Ela nunca ocupou cargos na administração superior do MPES e nem na AESMP. Durante a campanha, até fez uma visita de cortesia a Eder Pontes no TJES, mas não faz parte do grupo dele nem do de Andrade.
Em 2021, a promotora concorreu a uma vaga no TJES. Entrou na lista tríplice, mas o escolhido por Casagrande foi Pontes.
A ESCOLHA
A atual procuradora-geral de Justiça entregou oficialmente a lista com os nomes dos três eleitos ao governador Renato Casagrande ainda na sexta-feira.
Agora, o governador tem até 15 dias para definir quem vai comandar a Procuradoria-Geral de Justiça. Caso vença o prazo, o candidato mais votado será empossado no cargo pelo Colégio de Procuradores de Justiça do MPES.
O governador ressaltou, em fevereiro, que, legalmente, não tem a obrigação de escolher o mais votado da lista tríplice. Foi um sinal de que pode escolher alguém que ficou em segundo ou terceiro lugar.
Institucional e politicamente, Luciana Andrade é próxima de Casagrande. Aliás, ela é até criticada, nos bastidores, por adversários por ser tão presente em eventos realizados pelo Palácio Anchieta.
Isso é um ponto a favor, contudo, para o candidato dela, Francisco Berdeal. Pedro Ivo de Sousa não é tão próximo de Casagrande, mas não é um crítico da gestão estadual, ao menos não publicamente.
Maria Clara Mendonça Perim tem boa relação com o governador e aliados.
O escolhido, ou escolhida, para chefiar o MPES vai tomar posse no cargo em maio.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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