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Ex-líder do PT

Contarato: "O governo tem que enfrentar o tema da Segurança Pública"

Alguns petistas, no Senado e na Câmara dos Deputados, buscam protagonismo em relação a essas políticas públicas. Governo Lula acena com PEC do Susp

Publicado em 16 de Julho de 2024 às 08:18

Públicado em 

16 jul 2024 às 08:18
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

Senador Fabiano Contarato
Senador Fabiano Contarato Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado
Com atraso, alguns integrantes do Partido dos Trabalhadores acordaram para a relevância de debater o tema da Segurança Pública no país. A pauta foi relegada a segundo e terceiro planos pela esquerda e pela centro-esquerda durante décadas, o que deu espaço para que políticos de outros espectros abraçassem a causa.
Não é de hoje que candidatos de direita e extrema direita elegem-se para cadeiras no Congresso Nacional tendo como bandeira o malfadado jargão "bandido bom é bandido morto" e outras vertentes rasteiras e simplistas do dito popular.
Até nas eleições municipais de 2024 há uma miríade de pré-candidatos a prefeito ancorados na pauta da Segurança Pública, embora este seja um assunto, constitucionalmente, atrelado aos governos estaduais.
"A população adere a esse discurso porque está com o direito de ir e vir cerceado. Agarra-se a qualquer medida imediatista e punitivista", afirmou o senador Fabiano Contarato (PT-ES), em entrevista à coluna.
Líder do PT do Senado de fevereiro de 2023 a fevereiro de 2024 (o mandato na liderança é de um ano), ele defende que o governo Lula (PT) priorize as políticas de Segurança antes que a coisa piore:
"Se não formos propositivos, a extrema direita vai fazer isso da pior forma possível"
Fabiano Contarato (PT-ES) - Senador
A questão é: como não resvalar para o populismo penal?
A restrição às saidinhas de presos, projeto aprovado pela imensa maioria dos senadores e deputados federais, por exemplo, foi criticada como "saída fácil" — com o perdão do trocadilho.
Algo que pega bem com a opinião pública, mas não resolve problemas relacionados ao sistema penitenciário.
Contarato votou para acabar com as saidinhas e não se arrependeu.
"Hoje, uma pessoa condenada a nove anos de prisão por homicídio sai em muito menos tempo da cadeia, devido à progressão de regime, sai em 2 anos e meio. E a gente ainda vai dar 35 dias de saída temporária para essa pessoa?", argumentou o senador.
"Não foi populismo penal. Se fosse, eu não teria ido contra a PEC que criminaliza a posse de drogas, que criminaliza negros e pobres", retrucou.
Para o senador, os políticos progressistas têm "argumentos palatáveis" para apresentar à população.
"Sou contra a redução da maioridade penal, mas não é razoável o máximo de três anos de internação para menores de 18 anos, independentemente do ato infracional praticado", criticou.
"Sou autor de um projeto para aumentar o tempo de internação de adolescentes em conflito com a lei em casos de ato análogo a crime hediondo", exemplificou Contarato.
"Os governos, não só o do Lula, que foi eleito como um cordão sanitário, mas todos os governos de coalizão têm que olhar para a pauta da Segurança Pública", exortou o petista.
Contarato é delegado aposentado da Polícia Civil e foi professor de Direito Penal. Na campanha eleitoral de 2018, que o elegeu para o Senado, muitos eleitores apostaram em sua fama de "xerife" da Delegacia de Delitos de Trânsito.
"Querem aumentar a pena para o crime de estelionato, ou de furto de cabos de cobre, cometidos sem emprego de violência. Em vez disso, por que não passamos a considerar como hediondos os crimes de corrupção ativa e passiva, que custam vidas?", argumentou, na conversa com a coluna.
O parlamentar foi relator da Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis, texto em parte vetado pelo presidente Lula.
Adriana Accorsi (PT), delegada da Polícia Civil de Goiás, quer relatar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que transforma as Guardas Municipais em polícias municipais.
O Susp já foi criado por lei, em 2018, durante o governo Michel Temer (MDB). A PEC tem o objetivo de atualizar a Constituição à legislação.
Em resumo, o Susp seria uma espécie de Sus (Sistema Único de Saúde) da Segurança Pública. Os entes estaduais e municipais ainda teriam suas próprias gestões, mas o governo federal atuaria como coordenador das políticas públicas.
A proposta, por exemplo, dá mais poder à União para definir regras como o uso de câmeras corporais por agentes de segurança. Essas diretrizes teriam que ser seguidas obrigatoriamente por estados e municípios.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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