Vila Velha, não se sabe por que e para que serve, tem agora em seu Calendário Oficial de Eventos do Município o “Dia do Conservadorismo”, que será “comemorado” em todo dia 10 de março. A lei foi promulgada pelo presidente da
Câmara, Bruno Lorenzutti (Podemos), no último dia 15.
Segundo mais essa lei municipal, “conservadorismo é o pensamento político-filosófico que defende a estabilidade das instituições sociais tradicionais, de modo especial, a família, a comunidade local e a religião, além dos usos, dos costumes, das tradições e das convenções morais”.
“Há no Brasil hoje a vivência e a tentativa de construção de um pensamento reacionário”, analisa o cientista político João Gualberto, sobre a lei aprovada pelos 17 diligentes parlamentares da CMVV. “Isso não é pensamento conservador. Há conservadores respeitáveis no mundo inteiro. O pensamento reacionário contesta a batalha das ideias. Esse movimento é muito forte nos Legislativos, inclusive em Vitória e Vila Velha”, acrescenta.
Para o cientista político, a iniciativa fere os pressupostos democráticos: “O Dia do Conservadorismo é uma péssima ideia porque, neste caso, nós deveríamos ter também o ‘Dia do Esquerdismo’ ou o ‘Dia dos Movimentos Identitários’. O que foi aprovado em Vila Velha é uma ideia ruim e que expressa um pensamento negativo e não democrático”.
Sensibilizada com a preocupação dos nobres edis canelas-verdes em preservar tradições, a coluna pede licença para sugerir: que tal voltar o tempo no Brasil em que os vereadores não eram remunerados? A gente era feliz. E sabia.