Tem gente que vibra com um novo livro, com a viagem há muito sonhada; há quem comemore a conquista da casa própria ou até a compra de um carro zero-quilômetro. Mas o presente de Natal do vereador de Vila Velha Devacir Rabello (DC) é uma arma: uma pistola Taurus nove milímetros que ele acaba de adquirir após obter autorização para posse de arma. “Coisa linda!”, suspirou o parlamentar evangélico em um vídeo que publicou nas suas redes sociais.
Em conversa com a coluna, o vereador, que faz parte da base de apoio do prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos) na Câmara, primeiramente recorre à ideologia para justificar a compra da pistola. “Ter arma faz parte do viés conservador, é algo natural para nós. Entendo que é um direito dos patriotas e dos cidadãos de bem de se defender, defender sua família e o seu patrimônio”, teoriza.
Além da ideologia, o parlamentar canela-verde alega que razões de ordem prática o levaram a comprar uma arma letal. “Tenho mulher, filha e um carro próprio. Além disso, moro na periferia e, como vereador e autoridade na cidade, posso ser um alvo. Vejo vereadores sendo assassinados por aí, principalmente no Rio e em São Paulo. Tenho que resguardar minha vida de eventuais adversários.”
Rabello, de 45 anos de idade, nasceu em berço católico, participava das missas, mas há 13 anos se converteu e passou a frequentar a Igreja do Evangelho Quadrangular, uma das muitas denominações evangélicas de linha mais conservadora. A partir de 2015, foi designado obreiro da igreja, uma espécie de auxiliar de pastor.
A pistola, que custou R$ 6 mil ("vai ser paga em seis vezes", faz questão de ressaltar), segundo o vereador, não poderá ser utilizada fora da casa dele, localizada entre os bairros de Soteco e Boa Vista. É que, na Polícia Federal, ele obteve a posse de arma, e não o porte, mas o parlamentar de primeiro mandato anuncia que em breve vai entrar com novo processo na PF para ter o direito legal de levar a arma consigo aonde for.
“Não foi um processo fácil, não é qualquer um que consegue. Levei seis meses para conseguir a posse. Passei por testes psicotécnicos, psicológicos, minha vida foi toda investigada”, relata Rabello, que utilizou os serviços de um despachante para obter a autorização.
Perguntado pela coluna se os seus eleitores, a maioria de orientação cristã, não poderiam estranhar o fato de ele ter uma arma, Rabello tem um argumento na ponta da língua para justificar sua atitude: “Eles iriam estranhar se a arma estivesse nas mãos de um bandido. Mas ela está nas mãos de uma pessoa idônea, de bem e de moral ilibada”, se autoelogia.