Houve uma mudança visível na
Assembleia Legislativa (pelo menos na garagem) durante a pandemia do
novo coronavírus: os carros oficiais que estão à disposição dos deputados foram trocados. Saíram os Focus sedan e entraram Corollas GLI 2020 novinhos em folha. No mercado, o preço desse modelo custa em torno de R$ 100 mil a unidade.
Os veículos começaram a chegar em junho passado. Segundo a assessoria da Assembleia, não houve custo extra porque a renovação da frota está prevista no contrato da Casa com uma locadora.
São 27 carros (um para o deputado
Erick Musso, que é o presidente, e outro para a Presidência da Casa) locados ao custo de R$ 1.561.466,16 por um período de 24 meses, embora o valor do contrato seja de R$ 1.792.807 prevendo a locação de 31 carros por dois anos.
Segundo a assessoria da Assembleia, quatro parlamentares abriram mão da
mordomia e não utilizam o carro oficial pago pelos cofres públicos: Emílio Mameri (PSDB), Fabrício Gandini (Cidadania), Hércules Silveira (MDB) e Carlos Von (Avante).
“Não houve aumento no valor contratual. A Assembleia Legislativa não está gastando mais por isso. Apenas houve um apostilamento [ajuste], também por força de contrato. Os veículos atuais são mais econômicos e não houve aumento contratual”, diz o Legislativo em nota enviada à coluna.
Nos próximos dias, a Mesa Diretora da Assembleia deve lembrar os deputados da proibição legal do uso de veículos para o uso eleitoral, para os que são candidatos nestas eleições municipais
São pré-candidatos a prefeito 11 parlamentares: Enivaldo dos Anjos (Barra de São Francisco); Carlos Von (Guarapari); Capitão Assumção, Fabrício Gandini e Lorenzo Pazolini (Vitória); Hudson Leal (Vila Velha); Vandinho Leite, Alexandre Xambinho e Bruno Lamas (Serra); Euclério Sampaio (Cariacica) e Marcos Garcia (Linhares).
Dez deputados devolveram o carro durante a pandemia de Covid-19, mas o valor do contrato de locação da Assembleia não foi alterado porque só haveria mudança se os parlamentares abrirem mão do veículo oficial em caráter permanente. São eles: Renzo Vasconcelos (PP); Alexandre Xambinho (PL), Lorenzo Pazolini (Republicanos), Adílson Espíndola (PTB), Sérgio Majeski (PSB), Janete de Sá (PMN) e Erick Musso (Republicanos), Vandinho Leite (PSDB) e Marcelos Santos (Podemos).
Não é só na Assembleia que essa mordomia persiste. No Poder Executivo, em empresas públicas, no
Tribunal de Justiça, no
Ministério Público e no
Tribunal de Contas a maioria dos seus dirigentes circulam em veículos oficiais, luxuosos, pagos pelo dinheiro do contribuinte. Num país em sérias dificuldades financeiras, agravadas pela pandemia, justifica a existência dessa mordomia? Suas excelências não poderiam se deslocar por carros de aplicativos, por exemplo? Até quando?