Relato de delegado revela os detalhes da prisão de Marujo
Leonel Ximenes
Relato de delegado revela os detalhes da prisão de Marujo
Até a marreta usada pela polícia para quebrar parede onde se escondia o criminoso quebrou durante a operação; traficante chegou a se machucar levemente ao passar pelo buraco do seu "bunker"
O delegado conta que, pela complexidade do cenário, foi necessário fazer o cerco dentro da área da casa de Marujo. Para isso, os policiais fizeram buscas em 15 residências no entorno do alvo, inclusive na casa do pai de Marujo, José Renato Pimenta. “Destaca-se que o alvo da operação [Marujo] foi encontrado na casa situada na escadaria Rita da Silva e todo o ingresso dos policiais foi realizado com intensa resistência”, descreve o superintendente.
Logo em seguida, os policiais foram surpreendidos com os sinais de resistência à prisão do criminoso: “Quando os demais envolvidos com o tráfico de drogas visualizaram que a operação policial se destinava para a residência do genitor do responsável pelo tráfico local, foram iniciados eventos no entorno (fogos e disparos), almejando promover que os policiais se retirassem do local”.
As dificuldades estavam apenas começando, de acordo com o relato do delegado. “Foi necessário promover arrombamento de portas e é imperioso destacar que o reforço das portas nesta casa era fora do convencional, sendo [que havia] logo na entrada duas portas de ‘chapão’ reforçadas e em nenhum momento os familiares abriram as portas.”
Gianordoli prossegue: “A cada andar havia nova porta reforçada impedindo o acesso e novamente sem nenhum familiar abrindo para facilitar o acesso. Toda a estrutura da casa foi feita de modo a promover (ou impedir) no mínimo atraso de diligências policiais. Quando os agentes da lei conseguiram alcançar o terceiro andar, fiscalizando a área ‘de bar’, conseguiram perceber que se tratava de uma parede falsa com uma porta reforçada com concreto e dispositivo de acionamento no interior”.
Diante dessa barreira, os policiais tiveram que usar ferramentas mais potentes para ter acesso ao bandido: “Como os policiais civis não conseguiam abrir a porta, foi necessário o uso de uma marreta para tentar arrombar”, conta o delegado, que cita também a ação do pai de Marujo neste momento. “O senhor José Renato Pimenta, que acompanhava a diligência policial, [quando] percebeu que os policiais iriam conseguir acesso ao interior do ‘bunker’, interrompeu entrando à frente da equipe para que ele promovesse a abertura (quebrando)”, diz o comandante da operação.
Para o delegado, o pai de Marujo fez isso porque sabia que seu filho se encontrava armado com um fuzil e iria resistir à prisão policial. “Deste modo, o senhor José passou a promover a abertura à força do ‘bunker’ até que em determinado momento foi possível visualizar parte do seu interior. Naquele exato momento foi necessário efetuar disparos para fragilizar a estrutura do ‘bunker’, bem como para inibir qualquer ação do criminoso que se encontrava portando um fuzil”, destaca Romualdo Gianordoli.
O chamado bunker do criminoso, que tinha até cilindro de oxigênio e um fuzil, era tão bem estruturado e fortalecido, que o delegado conta que teve que mudar de tática porque ocorrera um imprevisto. “Os meios convencionais não estavam conseguindo romper o obstáculo, inclusive já tendo a marreta usada pelos policiais se quebrado durante a ação.”
Depois de algum tempo e sob ordens dos policiais, Marujo resolveu se render e sair do esconderijo, momento em que se machucou levemente. “Cumpre destacar que devido ao buraco ser pequeno e Fernando [o Marujo) se encontrar ‘corpulento’, sua saída do buraco acabou gerando algumas escoriações superficiais”, diz o superintendente da PC.
Detido o criminoso tão procurado, as dificuldades não acabaram. Segundo Gianordoli, houve reação de populares à prisão do traficante: “Observa-se que no ato da extração do alvo, populares cercaram a área do morro tentando impedir a retirada do criminoso homicida, promovendo a todo momento turba e outros eventos como arremesso de pedras e muitos fogos”.
A seguir, a reação partiu de outros criminosos, segundo a percepção do delegado que comandou a operação. “Ainda neste diapasão, criminosos começaram a efetuar diversos disparos contra policiais que se encontravam em pontos diversos do Complexo da Penha.”
Diante da situação emergencial e extremamente tensa, a polícia teve que dar uma resposta rápida. A perícia no local nem pode ser feita. “Por determinação da autoridade policial, percebendo que se estava na iminência de uma possível tentativa de resgate ao criminoso n° 01 da lista dos mais procurados do Espírito Santo, bem como a existência de atiradores ativos efetuando disparos contra policiais em diversas localidades do morro, a autoridade responsável pela operação policial determinou a exfiltração (retirada) imediata de Fernando Moraes Pereira Pimenta, sendo impossível a realização de qualquer perícia no local, visto a completa falta de segurança.”
No fim, a operação foi bem-sucedida e Marujo agora está fora de combate.
Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.