O
juiz Romilton Alves Vieira Júnior, titular do 2º Juizado Especial Criminal e da Fazenda Pública Municipal de Vila Velha, tornou sem efeito a Lei Municipal 3.909/2002, que proibia a comercialização de livros, revistas, cards e qualquer outro material relacionado a jogos de interpretação (RPG) na cidade canela-verde.
A lei, aprovada pela
Câmara de Vila Velha em 15 de março de 2002, foi redigida durante a comoção criada com o "Caso Ouro Preto", no qual uma jovem teria sido morta na cidade mineira por praticantes de RPG, jogo de interpretação de papéis.
A despeito de sua alegada inconstitucionalidade e da fragilidade das provas obtidas durante a investigação criminal, os vereadores resolveram aprovar o texto.
Agora, os vereadores de Vila Velha estão discutindo o projeto de lei de Dona Arlete (PSC) que revoga a lei que proíbe a comercialização de RPG na cidade. A matéria está na Comissão de Educação aguardando parecer para ser submetida a votação final em plenário. O projeto foi aprovado em primeira discussão no dia 13 de abril.
Apesar de tentativas anteriores para tornar a lei sem efeito, apenas neste ano um pedido foi acatado pela Justiça. Os advogados Arthur Pinto de Andrade e Rennzo Cometti Tironi, jogadores de RPG, ingressaram com uma ação questionando a legalidade da lei e acionando a
Prefeitura de Vila Velha para sua revogação, a pedido da luderia (loja que vende jogos de tabuleiro e RPGs) Boards4u. No último dia 27 de maio a municipalidade foi notificada da decisão judicial.
Jogos de Interpretação de Papéis (Role Playing Games em inglês) foram criados nos
Estados Unidos em 1971, numa variação dos jogos de guerra em tabuleiro. Chegaram no Brasil na década seguinte e ganharam muitos adeptos nos anos 2000.
Uma partida de RPG tem em média cinco jogadores. Um assume o papel de narrador da história, que pode ser de todos os tipos: aventura, suspense, horror e comédia, e em todos os cenários: medieval, espacial ou criado de forma coletiva. Os outros participantes assumem o papel dos personagens e seguem o roteiro sugerido pelo narrador.
Alguns RPGs têm sido utilizados em escolas, como forma de auxiliar os alunos a aprenderem de forma lúdica conteúdos como História e Geografia.