Contravenção muito associada ao
Carnaval e às escolas de samba, o Jogo do Bicho já era alvo de ações da polícia no final do século XIX em Vitória, ainda na República Velha, de acordo com periódicos capixabas daquela época.
O jornal “Estado do Espírito Santo”, em sua edição de 4 de novembro de 1900, parabenizou o “excelentíssimo doutor chefe de polícia” por proibir a exposição, na
Capital, dos vendedores automáticos que estavam sendo adotados para explorar o “pernicioso jogo do bicho”. Frisou ainda que esses equipamentos foram apreendidos. “O acto da digna autoridade merece todos os elogios”, detalhou o exemplar.
Mas a bolsa de apostas, criada em 1892 pelo barão João Batista Viana Drummond, no
Rio de Janeiro, seguiu crescendo e manteve-se forte no Espírito Santo. Nos anos 1950, contudo, houve uma nova ofensiva contra a jogatina, nos âmbitos nacional e estadual. Mas havia glamour, representado pelo filme “Amei um Bicheiro”, exibido na telona do antigo Cine São Luiz, que se gabava por ter sala com ar-condicionado, um luxo para a época.
Nos idos de 1959, conforme o jornal “Folha Capixaba”, o jogo do bicho seguia livremente, mas quem tinha cassino trabalhava com medo, porque havia um grande temor. Veio, então, uma chamada “perseguição” contra os “bookmakers”, mas tudo indicava que “negociações em alto nível” poderiam conduzir a um “bom termo''.
Só que houve um contra-ataque dos bicheiros. Para se manterem fortes e com o monopólio das apostas, impediram até a reabertura de boates na Capital, num esforço de mostrar quem é que mandava.
No resto, tudo saiu em samba sem atravessar para a contravenção – e até com patrocínio ao Carnaval estadual –, e alguns episódios da história capixaba mostraram fortes ações contra o crime organizado.
Mas o velho Jogo do Bicho continua tão à solta quanto cães abandonados na
Grande Vitória, com inúmeras bancas de apostas que seguem rendendo milhões de reais, segundo fontes policiais.