Os fiéis que frequentam semanalmente a Missa Tridentina, em Vitória, já estavam se preparando para comemorar, no ano que vem, os 10 anos da tradicional missa em latim na Igreja São Gonçalo, mas tiveram uma surpresa: a Arquiconfraria de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção, que administra o templo na Cidade Alta, não permitiu mais que a celebração fosse realizada no local. Diante do impasse, a Arquidiocese de Vitória cedeu a
Capela Santa Luzia, na mesma região, para a celebração adotada antes do
Concílio Vaticano II.
O problema é que alguns fiéis tradicionalistas reclamam que a Santa Luzia é uma capela pequena e não consegue abrigar as cerca de 200 pessoas que frequentavam a Missa Tridentina nas manhãs de domingo na Igreja São Gonçalo. Além disso, segundo apontam, não há mais espaço para o coral na capela. “Se agora for colocar coral, não teremos espaço para os fiéis”, lamenta um ex-seminarista.
Neste domingo (30), foram realizadas pela manhã as duas primeiras missas pré-conciliares na Capela Santa Luzia, também na Cidade Alta, que pode receber até 70 pessoas. Mas, por causa da pandemia de
Covid-19, apenas 30 podem participar de cada uma das celebrações, mediante inscrição pela internet.
No início, o monsenhor Adwalter Carnielli, da Arquidiocese de Vitória, foi o sacerdote designado para presidir a celebração em latim na qual o padre fica de frente para o altar (
Versus Deum), mas a partir de 2017 o rito passou a ser responsabilidade de padres da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, de Campos dos Goytacazes, no
Rio de Janeiro.
Vice-provedor da Arquiconfraria, Rogério Nonato diz que interrompeu as missas na Igreja São Gonçalo em razão da pandemia do novo coronavírus. “Até o fim deste ano, por causa da pandemia, a igreja não terá atividades litúrgicas. Precisamos salvaguardar a saúde de todos”, afirma Nonato, que é médico infectologista.
Ele não quis adiantar se as Missas Tridentinas voltarão à São Gonçalo após a pandemia de Covid-19. “Não sei, vamos ver como será a programação. Enquanto não houver vacina, é muito perigoso, temos que resguardar os fiéis”. Para ele, a decisão de deixar o templo histórico, de 317 anos, foi dos fiéis do rito tridentino. “Eles quiseram sair da igreja porque queriam continuar a celebrar as missas tridentinas.”