Não é tarefa fácil definir Pepenha Cruz. Ex-atleta supercampeã, médica atuante na linha de frente da
Covid, cabo do Corpo do Bombeiros, onde já foi até motorista de caminhão por três anos, e dona de diploma de outros dois cursos superiores, Pepenha, como é mais conhecida, parece insaciável. Haja fôlego para acompanhá-la - os seus adversários no esporte sabiam bem o que é isso.
Mãe de uma menina de dois anos, Maria da Penha Cruz, de 37 anos, tem uma carreira esportiva vitoriosa na natação: é bicampeã brasileira (2005 e 2008), campeã sul-americana (2006) e vice-campeã pan-americana (2006) de maratona aquática. Não satisfeita em colecionar títulos esportivos, ela também coleciona títulos acadêmicos.
Além de Medicina, é formada em Nutrição, Farmácia e, por muito pouco, em Educação Física, que teve que largar quando já se preparava para concluir o curso. “Parei no último ano quando passei em Medicina, porque não poderia ter dois vínculos na universidade federal (
Ufes)”, explica.
Capixaba de Vitória, Pepenha concluiu o curso de Medicina da Ufes no segundo semestre de 2020, mas, por causa da pandemia, só no último fim de semana comemorou a conquista numa festa com a turma. Mas como a vida não pode esperar, há pelo menos um ano ela atua na linha de frente de combate à pandemia de Covid-19.
Está claro que a grande vocação de Pepenha é salvar vidas, seja com o jaleco branco de médica atuando em prontos-socorros como clínico-geral em dois hospitais privados e na telemedicina, seja com o uniforme do
Corpo de Bombeiros, onde já exerceu várias atividades desde que ingressou na corporação, em 2009. Atualmente, ela está lotada na seção de clínica médica da corporação.
Embora tenha orgulho de ser bombeiro, ela anuncia que vai deixar a corporação para continuar na Medicina, atividade que exige muita dedicação e pela qual é apaixonada. “Quando entrei no bombeiro, eu pensava que era para apagar fogo, mas eu conheci um mundo muito maior do que só salvar vidas alheias, porque também tem as riquezas para salvar. Eu me identifiquei, é uma profissão linda. Vou sair agora porque não tem jeito”, lamenta.
No esporte, além dos títulos nas águas, Pepenha aprendeu inglês e espanhol, idiomas que passou a dominar durante as muitas competições esportivas internacionais de que participou pelo mundo afora. A ex-atleta conhece cerca de 30 países.
Mesmo na Medicina, Pepenha tem mais planos. Afinal, acomodação é uma palavra que não faz parte do seu dicionário. “Quero fazer residência médica, quero fazer especialização, estou fazendo especialização em Nutrologia na USP, mas não é o que quero fazer para o resto da minha vida”, afirma. “Estou ainda em dúvida entre Anestesiologia e Oftalmologia. Mas eu quero mesmo é fazer residência, porque não me sinto completa.”
Vencedora por vocação, outra possibilidade acaba de se abrir para a ex-nadadora. “Me chamaram para a
Polícia Civil agora. Devo assumir lá como médico-legista”, adianta.
A campeã não tem mesmo medo das águas mais profundas. Vai, Pepenha!