O Brasil vai às urnas neste domingo (25) para escolher o seu próximo presidente da República em um momento crítico. Independentemente de quem vencer, o país terá no dia seguinte que enfrentar a sua agenda inescapável: o enfrentamento de seus reais problemas, que deverão ser debatidos num ambiente adulto, não no padrão Tik Tok que predominou na campanha eleitoral.
O debate da campanha, infelizmente, não refletiu os nossos reais desafios e seguiu a lógica das redes sociais, de disputar a atenção do eleitor a todo custo, muitas vezes de forma descolada da realidade, com promessas impossíveis, sem a devida demonstração de viabilidade, que agravariam ainda mais o quadro fiscal do país, prejudicando o seu desenvolvimento sustentado.
Após as eleições, enfrentaremos o mundo real do Custo Brasil e dos juros altos, responsáveis pelo endividamento recorde de famílias e empresas.
Os números ajudam a ilustrar a questão: somente o custo da dívida pública do país, ou seja, a quantia necessária para mantê-la do mesmo tamanho, chegou a R$ 1,18 trilhão ao ano, também um recorde.
Imagine esse valor investido em infraestrutura! Para efeito de comparação, o custo estimado da EF 118, ferrovia fundamental para ligar o Espírito Santo ao Porto do Açu, no Norte do Rio de Janeiro, é de R$ 6,6 bilhões – o que significa dizer que somente o custo da dívida daria para fazer 178 ferrovias como essa. Contudo, bastaria uma: a EF 118 daria grande impulso ao desenvolvimento do Espírito Santo, do Rio e do Brasil.
Enfrentar a agenda necessária do Custo Brasil, do equilíbrio das contas públicas e das reformas estruturantes pressupõe disposição para realmente servir ao país, para além dos índices momentâneos de popularidade. É preciso assumir a coragem de tomar as decisões duras no curto prazo, talvez, mas necessárias para que o país possa de fato avançar. A verdadeira liderança faz o que precisa ser feito, com a certeza de que os resultados serão positivos para todos.
Essa agenda deve ser a prioridade do próximo governo, independentemente do resultado deste domingo: essa é a necessidade da nação, lembrando que o período inicial de qualquer mandato é sempre o de maior força e legitimidade política. O líder do Executivo, nesse cenário, tem sempre mais apoio no Congresso e na sociedade em geral para promover mudanças. Essa janela precisa ser devidamente aproveitada.
Na campanha, sobraram promessas e pacotes de bondade, como se não houvesse amanhã, mas, passadas as eleições, o amanhã chegará. E aí será o momento de entrarmos na agenda real que inclui a reforma administrativa, voltada à eficiência do Estado, à melhoria da gestão e à qualidade dos serviços prestados à população.
Uma nova reforma previdenciária também será necessária, diante do envelhecimento da população e do crescimento das despesas associado às mudanças demográficas. São questões que demandam planejamento de longo prazo, com capacidade de diálogo e responsabilidade.
A agenda precisa contemplar ainda uma reforma ética, orientada pelo fortalecimento da integridade e transparência na vida pública, possibilitando a recuperação da confiança da população nas instituições.
O exemplo das lideranças, como temos mencionado, é fundamental para estabelecer padrões de conduta e demonstrar que o exercício de uma função pública exige compromisso com o interesse coletivo. É isso que inspira respeito e admiração da sociedade. A credibilidade institucional é parte das condições necessárias para que o país consiga construir consensos e executar políticas de longo prazo.
Mas apesar do tamanho dos desafios e da ausência absoluta de um debate consistente sobre as questões fundamentais, temos razões para manter a esperança na capacidade do Brasil de avançar. O país reúne potencial, capacidade empresarial e oportunidades de investimento. Precisamos agora trabalhar para retomar uma agenda de prosperidade sustentada por responsabilidade fiscal, competitividade e confiança nas instituições. É essa a tarefa que espera o próximo governo.