Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Léo de Castro

O dia seguinte: o país precisa enfrentar seus desafios reais

A credibilidade institucional é parte das condições necessárias para que o país consiga construir consensos e executar políticas de longo prazo

Publicado em 25 de Outubro de 2026 às 03:00

Públicado em 

25 out 2026 às 03:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro Léo de Castro

O Brasil vai às urnas neste domingo (25) para escolher o seu próximo presidente da República em um momento crítico. Independentemente de quem vencer, o país terá no dia seguinte que enfrentar a sua agenda inescapável: o enfrentamento de seus reais problemas, que deverão ser debatidos num ambiente adulto, não no padrão Tik Tok que predominou na campanha eleitoral.


O debate da campanha, infelizmente, não refletiu os nossos reais desafios e seguiu a lógica das redes sociais, de disputar a atenção do eleitor a todo custo, muitas vezes de forma descolada da realidade, com promessas impossíveis, sem a devida demonstração de viabilidade, que agravariam ainda mais o quadro fiscal do país, prejudicando o seu desenvolvimento sustentado. 


Após as eleições, enfrentaremos o mundo real do Custo Brasil e dos juros altos, responsáveis pelo endividamento recorde de famílias e empresas. 

Contas públicas Pixabay

Os números ajudam a ilustrar a questão: somente o custo da dívida pública do país, ou seja, a quantia necessária para mantê-la do mesmo tamanho, chegou a R$ 1,18 trilhão ao ano, também um recorde. 


Imagine esse valor investido em infraestrutura! Para efeito de comparação, o custo estimado da EF 118, ferrovia fundamental para ligar o Espírito Santo ao Porto do Açu, no Norte do Rio de Janeiro, é de R$ 6,6 bilhões – o que significa dizer que somente o custo da dívida daria para fazer 178 ferrovias como essa. Contudo, bastaria uma: a EF 118 daria grande impulso ao desenvolvimento do Espírito Santo, do Rio e do Brasil.


Enfrentar a agenda necessária do Custo Brasil, do equilíbrio das contas públicas e das reformas estruturantes pressupõe disposição para realmente servir ao país, para além dos índices momentâneos de popularidade. É preciso assumir a coragem de tomar as decisões duras no curto prazo, talvez, mas necessárias para que o país possa de fato avançar. A verdadeira liderança faz o que precisa ser feito, com a certeza de que os resultados serão positivos para todos.


Essa agenda deve ser a prioridade do próximo governo, independentemente do resultado deste domingo: essa é a necessidade da nação, lembrando que o período inicial de qualquer mandato é sempre o de maior força e legitimidade política. O líder do Executivo, nesse cenário, tem sempre mais apoio no Congresso e na sociedade em geral para promover mudanças. Essa janela precisa ser devidamente aproveitada.


Na campanha, sobraram promessas e pacotes de bondade, como se não houvesse amanhã, mas, passadas as eleições, o amanhã chegará. E aí será o momento de entrarmos na agenda real que inclui a reforma administrativa, voltada à eficiência do Estado, à melhoria da gestão e à qualidade dos serviços prestados à população. 


Uma nova reforma previdenciária também será necessária, diante do envelhecimento da população e do crescimento das despesas associado às mudanças demográficas. São questões que demandam planejamento de longo prazo, com capacidade de diálogo e responsabilidade.

Veja Também 

Imagem de destaque

O país que queremos: agentes públicos devem usar serviços públicos

Imagem de destaque

Uma agenda para o futuro do Brasil

Imagem de destaque

As instituições brasileiras não inspiram a nação

A agenda precisa contemplar ainda uma reforma ética, orientada pelo fortalecimento da integridade e transparência na vida pública, possibilitando a recuperação da confiança da população nas instituições. 


O exemplo das lideranças, como temos mencionado, é fundamental para estabelecer padrões de conduta e demonstrar que o exercício de uma função pública exige compromisso com o interesse coletivo. É isso que inspira respeito e admiração da sociedade. A credibilidade institucional é parte das condições necessárias para que o país consiga construir consensos e executar políticas de longo prazo.


Mas apesar do tamanho dos desafios e da ausência absoluta de um debate consistente sobre as questões fundamentais, temos razões para manter a esperança na capacidade do Brasil de avançar. O país reúne potencial, capacidade empresarial e oportunidades de investimento. Precisamos agora trabalhar para retomar uma agenda de prosperidade sustentada por responsabilidade fiscal, competitividade e confiança nas instituições. É essa a tarefa que espera o próximo governo.

Léo de Castro

Léo de Castro Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Horóscopo do dia 25/10/2026: signos poderão esclarecer conflitos e fortalecer laços
Imagem de destaque
Editais e Avisos - 25/10/2026
Imagem de destaque
Quase mil pessoas são presas após confrontos em mais um dia de protestos em massa na França

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.