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Pandemia

Qual teste fazer? Eis a questão do diagnóstico da Covid-19

Testar, testar, testar é o mantra que ouvimos. Vários países, bem-sucedidos no controle da Covid-19, foram eficientes em testar, com resultados em tempo hábil para isolar os positivos

Publicado em 18 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

18 jun 2020 às 05:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Covid-19: Testes para detectar o novo coronavírus em Linhares
Covid-19: Testes para detectar o novo coronavírus em Linhares Crédito: Prefeitura de Linhares
Balbúrdia! Confusão! Nada descreve melhor o momento que vivemos hoje quanto à interpretação dos testes para Covid-19! Tenho um teste positivo no sangue? Preciso ficar isolado? Swab deu negativo? Posso visitar as pessoas? São perguntas que os capixabas têm feito e que nem sempre têm fáceis respostas.
Uma doença nova que traz tanto temor exige diagnóstico rápido e preciso. A Organização Mundial de Saúde, que cometeu alguns erros nesta pandemia, tem acertado, desde o início, em estimular testar e isolar tão rápido quanto possível. Testar, testar, testar é o mantra que ouvimos! Vários países, bem-sucedidos no controle da Covid-19, foram eficientes em testar, com resultados em tempo hábil para isolar os positivos. Mas qual teste fazer?
Aí começam algumas dificuldades. O único teste eficaz na fase de doença ativa da Covid-19 é o molecular – PCR – em material colhido por desconfortável swab nasal (na verdade, em narinas e boca lá no fundo, atrás da “campainha”). Esse teste tem uma sensibilidade de 65% nos melhores laboratórios. Ou seja, em um terço dos casos, pode dar um resultado falso negativo. Então, em uma pessoa com fortes suspeitas de Covid-19, é prudente repetir o teste e não se tranquilizar com um resultado negativo.
Por isso é fundamental, para qualquer pessoa com sintomas gripais ou febre suspeita, o autoisolamento imediato. Também não é confiável acreditar que um teste de swab nasal negativo permita a uma pessoa conviver com segurança com pessoas de risco, idosos ou com doenças crônicas graves. Por outro lado, como o teste molecular de swab amplifica em escala exponencial o material genético do vírus, pode acontecer uma contaminação, em especial na fase de extração do RNA da amostra. Então, resultado falso positivo, embora mais raramente, também pode ocorrer.
Consegui ser claro com o amigo leitor? A situação piora um pouco mais com os chamados testes rápidos ou de sorologia no sangue. A imensa maioria deles identifica anticorpos contra o novo coronavírus (e não material viral), portanto, após a fase ativa da doença. Infelizmente, a maioria desses testes foi liberada no afã de permitir e ampliar testagem, sem devida comprovação de eficácia e confiabilidade de muitos deles.
Neste momento, nenhum teste no sangue ou soro é aceito e padronizado para fase ativa da Covid-19! Portanto, esses testes a esta altura da pandemia não constituem critério para isolar ou quarentenar ninguém! No máximo, permitem, quando confiáveis, identificar quem já teve Covid-19.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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