Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Covid-19

Transcol: o ponto fraco do combate à pandemia

Superlotação dos ônibus foi uma constante e as seguidas reclamações dos usuários de nada adiantaram e só confirmam o fracasso da política

Publicado em 04 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

04 fev 2022 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Passageiros esperando o Transcol no Terminal de Laranjeiras, Serra
Terminal de Laranjeiras Crédito: Ricardo Medeiros
O governo do Estado, que tão bem administra o combate à pandemia da Covid-19Covid-19 na área da saúde, acaba de confessar o fracasso da sua política com relação aos usuários do transporte coletivo. A portaria publicada no último dia 24, eliminando a exigência de os ônibus do Transcol saírem dos terminais sem passageiros em pé – e as justificativas dadas para adoção da medida – demonstram que o governo jogou a toalha desistindo de vez de evitar a contaminação das pessoas que utilizam o transporte coletivo.
É inegável o êxito do governo na área da saúde. Desde o início da pandemia, os capixabas tiveram atendimento médico garantido graças à ampliação dos leitos hospitalares e ao monitoramento da sua ocupação. Não há notícias de falta de leitos para os capixabas nos nossos hospitais. Nos períodos mais críticos da pandemia, o Espírito Santo chegou a socorrer doentes do Amazonas e Santa Catarina.
Os capixabas sempre foram bem informados sobre a evolução da pandemia, com o mapa de risco sendo atualizado e divulgado semanalmente. Foram corretas as medidas de restrição das atividades não essenciais, sempre tomadas com base no mapa de risco. Sem favor algum, o trabalho das autoridades da saúde capixaba pode ser classificado como exemplar.
Entretanto, com relação ao transporte coletivo, particularmente o Transcol, o sistema de transporte coletivo integrado da Região Metropolitana da Grande Vitória, os resultados alcançados são completamente diferentes. A superlotação dos ônibus foi uma constante e as seguidas reclamações dos usuários de nada adiantaram e só confirmam o fracasso da política. Virou letra morta a portaria de 29 de julho de 2020 que estabelecia que os ônibus só deveriam iniciar viagens nos terminais com passageiros sentados e utilizando máscara.
Reconhecendo o fracasso das medidas, a nova portaria do governo acaba com a proibição de os ônibus saírem dos terminais com passageiros em pé e ainda revoga trechos que tratavam do planejamento e dimensionamento das linhas/viagem/frota para que o sistema operasse “com capacidade superior a demanda de passageiros em circulação, com o objetivo e preservar um distanciamento social mínimo dentro dos ônibus de forma a minimizar os riscos de contágio”.
Também foram revogados os trechos que tratavam do “incremento de mais veículos reservas disponíveis (...) para serem utilizados no suporte à tabela horária das linhas na realização de viagens extras, atuando de forma preventiva à formação de focos de aglomeração”. Foi suprimida ainda a parte que fala da avaliação e adequação da operação “com o objetivo de redução do tempo médio de espera dos passageiros nas filas de embarque, utilizando o sistema de videomonitoramento por câmeras instaladas nos terminais”.
As justificativas apresentadas para as mudanças são singelas. Segundo o Secretário de Mobilidade e Infraestrutura, as medidas revogadas “já não tinham validade na prática” porque a totalidade da frota do Transcol já estaria em circulação desde outubro de 2020. “É colocar no papel a realidade”, disse o secretário. Em outras palavras, com menos ou mais ônibus, a superlotação sempre existiu. É o reconhecimento oficial do fracasso das medidas antes anunciadas.
As críticas dos passageiros são contundentes. “É um absurdo”, “uma afronta”, “uma falta de respeito muito grande”, disseram os passageiros entrevistados pela TV Gazeta nos últimos dias sobre a superlotação nos ônibus. Todos têm razão, assim como o médico imunologista Daniel Gomes que criticou a revogação da proibição dos passageiros em pé nos ônibus ao dizer que “é uma péssima hora rever qualquer medida de distanciamento social” considerando o recente aumento dos casos de contaminação e de mortes pela Covid-19.
É lamentável que uma política desastrada na área do transporte coletivo venha a manchar o sucesso do combate à Covid-19 feito com tanta dedicação e competência pelas autoridades de saúde do nosso Estado.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Carreta cai em ribanceira em Cariacica
Carreta cai em ribanceira e complica trânsito no Contorno em Cariacica
Imagem de destaque
Mulher morre ao bater motoneta em poste na Serra
Imagem de destaque
O exercício físico simples que pode ajudar a melhorar a memória

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados