A Prefeitura de Vitória propôs à Câmara Municipal, na semana passada, uma audaciosa iniciativa que pode representar o caminho mais lúcido para se alcançar o sonhado renascimento do Centro de Vitória: a redução de impostos para uma série de atividades econômicas condicionada à adoção do retrofit, uma técnica de revitalização de prédios antigos e históricos.
A proposta encontra apoio entre todos os que amam a nossa cidade e também entre os especialistas, como o engenheiro Luiz Carlos Menezes que defendeu a medida em artigo publicado em A Gazeta em janeiro.
O retrofit é uma técnica de revitalização de construções antigas, adaptando-as às necessidades atuais. Por isso, é mais do que uma simples reforma ou restauração. O programa propõe fazer alterações que garantam o melhoramento das instalações, a atualização estética e a modernização da construção, sem descaracterizar os seus elementos originais históricos e arquitetônicos.
A proposta da prefeitura poderia ser ainda mais abrangente e incluir outras atividades no rol das que podem ser beneficiadas com a redução de impostos se aderirem ao retrofit. Os especialistas são unânimes em defender que a revitalização de áreas antigas das cidades só ocorre se acompanhadas pela atração de atividades econômicas produtivas como o comércio, a prestação de serviços, o trabalho de profissionais liberais e, é claro, as ligadas às áreas de cultura, turismo e entretenimento.
Justiça se faça, os governos do município e do Estado têm, nas últimas décadas, realizado ações que buscam revitalizar o Centro da capital como a reconstrução da praça Costa Pereira, do Parque Moscoso, do Teatro Carlos Gomes e do Palácio Domingos Martins (antiga Assembleia Legislativa), o reaproveitamento dos edifícios Estoril e Santa Cecília, a iluminação dos monumentos históricos, e a construção do Portal do Príncipe.
A atual administração municipal anuncia, ainda, a reconstrução do Mercado Capixaba, do calçadão da Beira-Mar, do Museu Capixaba do Negro, da Escola São Vicente de Paulo e do Viaduto Caramuru, além de tornar subterrânea a fiação dos postes das ruas 7 e Graciano Neves. É importante mencionar a obra realizada pelo Sesc de restauração do Teatro Glória.
Mesmo assim, o processo de esvaziamento econômico acelerou a deterioração da maior parte dos imóveis do Centro. A quantidade de lojas comerciais diminuiu, as agências bancárias migraram para outros bairros, assim como as clínicas, os profissionais liberais e os prestadores de serviço. Os resultados são 217 prédios sem uso, como constatou pesquisa realizada pelo Curso de Arquitetura e Urbanismo da Faesa, dando ao Centro de Vitória um triste aspecto de abandono e decadência.
A proposta da prefeitura, que procura atrair atividades produtivas para o nosso querido Centro, busca reverter esse quadro. Merece, por isso, ser apoiada pelos vereadores e pela população. Só assim, os capixabas poderão voltar a se orgulhar do Centro da capital, da nossa querida Cidade Presépio que tantas histórias e belezas guarda nos seus 471 anos de vida.