Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

2025

O que desejar para o nosso Brasil neste ano?

No Brasil o que não faltam são problemas gigantescos que merecem ser tratados em debates adultos como, por exemplo, o abismo que separa a nossa educação da dos países desenvolvidos

Publicado em 09 de Janeiro de 2025 às 23:00

Públicado em 

09 jan 2025 às 23:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

A passagem de ano nos remete a reflexões sobre o que desejar no ano que se inicia. Saúde, é claro. Um relacionamento feliz com a família e com os amigos, sim. Um dinheirinho para pagar as contas é sempre bem-vindo. Olhando um ambiente mais amplo, mais paz e menos guerras, é evidente. E, observando o nosso quintal, o que desejar para o nosso Brasil?
É muito desejar que os governos gastem com mais consciência – e decência – o dinheiro que pagamos como impostos, taxas, contribuições e outros nomes que a classe política inventa para nos extorquir? Afinal de contas, essa dinheirama já está passando dos R$ 5 trilhões, sendo a maior parte disso de tributos arrecadados pela goela insaciável do governo federal. Isso representa mais do que 36% do PIB, a segunda maior entre os países latino-americanos, segundo a OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Seria pedir muito que os três poderes limitassem os seus gastos a essa montanha de dinheiro, ao invés de ficarem inventando quinquênios, licenças e gratificações para engordar ainda mais os supersalários dos magistrados, mais cabides de emprego no Executivo (não bastassem os 39 ministérios e os 12 funcionários da assessoria de Janja?) e mais as obesas emendas parlamentares e os fundos (sem fundos) partidário e eleitoral do Legislativo (que devem beirar os R$ 50 bilhões em 2025)?
Essa gastança despudorada tem como resultado um rombo anual de mais de R$ 100 bilhões (que na verdade é muito maior se fossem acrescentados os déficits colossais das estatais) que faz a nossa dívida pública crescer a cada ano e beirar os 80% do PIB. Seria muito almejar que essa farra, cujo nome é irresponsabilidade fiscal, tenha fim?
Na política, é possível desejar o enterro dessa polarização ridícula a que o país foi levado desde as eleições de 2018, onde teve que escolher entre dois radicais – um de direita e outro de esquerda – que já haviam demonstrado despreparo para governar o país? É possível sonhar com novos nomes, que sejam capazes de elaborar propostas consistentes para enfrentar os problemas que há séculos nos atormentam, sem cair no populismo retrógrado e a troca de xingamentos que inundam as redes sociais e as tribunas dos nossos parlamentos?
No Brasil o que não faltam são problemas gigantescos que merecem ser tratados em debates adultos como, por exemplo, o abismo que separa a nossa educação da dos países desenvolvidos. Basta dizer que, em 2024, o Brasil investiu menos de um terço do montante dos recursos direcionados pelos países desenvolvidos em educação básica. E que, em 2024, ficou na 44ª posição entre os 56 países que participam do Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. É vergonhoso ou não é?
Na saúde a situação não é diferente. O Brasil investe na saúde 10% do PIB, valor bem menor que a média mundial de 15% considerando os países membros da OCDE, organização internacional que busca promover padrões a serem perseguidos pelos países em questões econômicas, financeiras, comerciais, sociais e ambientais.
A fragilidade do nosso sistema de saúde pode ser constatada com uma simples visita a uma Unidade de Saúde de qualquer município brasileiro, onde o que se vê são filas de pacientes que aguardam longas horas por um atendimento médico, isso quando há médicos e medicamentos disponíveis. Seria muito sonhar com um tratamento mais digno para os nossos doentes?
E é muito sonhar com um pouco mais de segurança? Diariamente o que se vê são assaltos a pessoas que estão nos pontos de ônibus, e mesmo quando entram nos ônibus não ficam livres dos ladrões (nos ônibus da Grande Vitória são mais de 10 roubos por dia, segundo os boletins de ocorrência da polícia).
Sala de aula
Sala de aula Crédito: Johnstocker/Freepik
Quando se sabe que no Rio de Janeiro as milícias e o narcotráfico controlam 25% dos bairros – o que corresponde a 57% do território da cidade – como comprovou a pesquisa do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF) e do Núcleo de Estudos de Violência da USP, é possível perceber que a sociedade brasileira não possui segurança alguma. O estudo Panorama da competitividade dos países do G20 Brasil 2024, elaborado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, coloca o país na 25ª posição em uma lista de 27 nações, com índices de violência melhores apenas em relação ao México e à África do Sul.
Há muito o que desejar nesse início do ano 2025. Que esse desejo inclua sonhar com um Brasil mais próspero, mais decente, mais seguro, que afaste dos governos os populistas que só pensam em se locupletar, e cuja sociedade tenha maturidade suficiente para fazer boas escolhas na hora de registrar o seu voto nas próximas eleições.
Afinal, como diz o samba-enredo de 1992, sonhar não custa nada, ou quase nada.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Cetaf perde para Joaçaba e começa os playoffs em desvantagem
Imagem de destaque
Salada com proteína: 3 receitas saudáveis e nutritivas para o jantar 
Professor, sala de aula, educação
STF estende piso nacional a professores temporários da educação básica da rede pública

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados