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Política

O eleitor "nem-nem" segue órfão nas eleições presidenciais de 2022

Quem não deseja votar nem em Lula nem em Bolsonaro e que, segundo as pesquisas, representa 30% do total dos votos continua sem ter opção

Publicado em 22 de Abril de 2022 às 02:00

Públicado em 

22 abr 2022 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Palácio do Planalto, sede do Executivo federal em Brasília
Palácio do Planalto, sede do Executivo federal em Brasília Crédito: Eduardo Coutinho
Os analistas políticos, em sua maioria, consideram que Sérgio Moro caiu em uma arapuca ao trocar o Podemos pelo União Brasil: perdeu a oportunidade de disputar a Presidência da República (era o terceiro na preferência do eleitorado, segundo as pesquisas) para se contentar em disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
De fato, logo após se filiar ao União Brasil, Moro viu o partido lançar um pré-candidato à presidência (Luciano Bivar) e teve que engolir o veto de uma ala do partido (liderada por Antonio Carlos Magalhães Neto) à possibilidade de ser candidato ao Senado. Não é pouca coisa para quem se aventura, pela primeira vez, a disputar uma eleição em um ninho dominado por cobras venenosas.
É cedo para avaliar se Moro acertou ou errou (mais uma vez, diga-se de passagem, já que ele próprio considera ter sido enganado quando aceitou se tornar ministro da Justiça de Bolsonaro) ao trocar de partido porque, convenhamos, o Podemos tinha muito pouco a oferecer a ele além dos respeitáveis apoios de Renata Abreu e Alvaro Dias. A visita que Moro fez ao Espírito Santo em fevereiro, por exemplo, revelou a fragilidade do partido e o pouco entusiasmo que seus líderes tinham com relação à sua candidatura.
Mas enquanto Moro segue a sua saga em um terreno minado por raposas políticas, os demais concorrentes à Presidência da República também enfrentam dificuldades, a começar pelos favoritos Lula e Bolsonaro. Lula se vê atormentado pela possibilidade real de a campanha eleitoral rememorar as denúncias de corrupção que quase quebraram a Petrobras e o levaram à prisão. Além disso, não tem conseguido ampliar a sua base de apoio – mesmo atraindo um conservador como Alckmin para a sua chapa – por causa da militância radical do PT e de suas propostas de defesa do aborto, dos sem-terra e da revogação da reforma trabalhista, e das críticas que faz à classe média.
Bolsonaro, por sua vez, carrega rejeição recorde e seu destempero verbal dá cada vez mais munição aos adversários. Seu deplorável comportamento durante a pandemia da Covid-19, ao não se vacinar, desdenhar a gravidade da doença e tratar com desprezo as mais de 660 mil mortes e os 30 milhões de contaminados, soma-se à irracionalidade de defender as torturas do regime militar, agora mais uma vez escancaradas pelos áudios das sessões do Superior Tribunal Militar revelados pelo historiador Carlos Fico. O seu deplorável cercadinho de todas as manhãs – e as barbaridades que diz aos seus apoiadores – é a maior demonstração do seu despreparo para ocupar a presidência da República.
Os demais concorrentes à presidência ainda não empolgaram o eleitorado também pela falta de apoio dos seus próprios partidos. Ciro Gomes continua patinando – como ocorreu nas outras três vezes em que foi candidato – já que prefere agredir adversários ao invés de tentar deles se aproximar. João Doria, apesar de ter sido vencedor das prévias no PSDB, ainda não conseguiu unir o seu partido em torno do seu nome. E Simone Tabet, do MDB, é vítima diária do “fogo amigo” da ala do partido que prefere se bandear para Lula ou Bolsonaro.
Diante de um quadro assim, o eleitor “nem-nem” – que não deseja votar nem em Lula nem em Bolsonaro e que, segundo as pesquisas, representa 30% do total dos votos – segue órfão lamentando a implosão prematura da “terceira via”. Implosão essa provocada pela incompetência dos partidos políticos que, longe dos extremos, se mostram incapazes de dialogar entre si para construir uma alternativa viável que quebre a polarização desenhada pela radicalização entre a esquerda petista e a direita bolsonarista.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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