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Política

Lula pensa que é o dono do Brasil?

Não satisfeito em interferir nas estatais, como costumeiramente faz com a Petrobras,  Lula agora se arvora em interferir também em empresas privadas

Públicado em 

15 mar 2024 às 01:45
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Não é só na política externa que Lula vem derrapando feio por achar que pode falar e fazer o que quiser porque – como ele se acha – é o dono da verdade. Foi desfrutando desse poder que imagina ter, que aconselhou Nicolás Maduro a construir uma nova narrativa para fazer com que a comunidade internacional mudasse de opinião e parasse de pensar que ele não passa de um ditador de um país de terceiro mundo. Maduro, ao que parece, não seguiu o conselho pois, além de não construir narrativa alguma, ainda ensaiou invadir a Guiana e continua caçando sem dó os seus opositores na Venezuela.
Foi também surfando nessa onipotência que julga ter que Lula se arvorou em promover a paz entre a Rússia e Ucrânia abraçando a tese de que a Ucrânia deveria devolver à Rússia os territórios invadidos. Simples assim: o país invadido aceitaria os ultimatos do país invasor. Não foi sem razão que Zelensky acusou Lula de se alinhar “às narrativas” de Vladimir Putin e de não ajudar “a trazer a paz”. Ao invés de surgir como artífice equilibrado da paz, Lula se expôs como aliado do invasor.
E o que dizer, então, das infelizes intervenções de Lula contrárias a Israel que reagiu à invasão que sofreu do grupo terrorista Hamas? Sua declaração comparando as ações do exército israelense na faixa de Gaza ao Holocausto promovido por Hitler na Segunda Guerra lhe rendeu críticas dos líderes das maiores democracias do mundo – além de ter sido declarado “persona non grata” por Israel –, ao mesmo tempo em que os terroristas do Hamas divulgavam nota em que “apreciavam” a sua “descrição precisa” do conflito de Gaza.
Lula, agora, novamente se mostra inebriado pelo poder ao tentar interferir na escolha do presidente da Vale, fingindo desconhecer que não está entre as atribuições do presidente da República se imiscuir na administração de uma empresa que foi privatizada há 27 anos.
Primeiro, tentou emplacar como presidente da Vale o ex-ministro da Fazenda de Dilma, Guido Mantega, o que, felizmente, não conseguiu. E agora, ao dizer, sem corar, em uma entrevista sobre a Vale, que “o que nós queremos é que as empresas brasileiras precisam estar de acordo com aquilo que é o pensamento de desenvolvimento do governo brasileiro”. Ou seja, Lula quer também mandar na Vale da mesma forma como manda na Petrobras e, quando isso acontece, já sabemos a que final essa história chegaria.
No caso particular da Vale, é importante lembrar que a empresa não tem o governo entre os seus acionistas, até porque a Previ, que detém 8,7% do capital da companhia, não pertence ao governo e sim aos empregados do Banco do Brasil. E que, como empresa de capital aberto, a Vale possui milhares de acionistas que desejam que sua administração seja profissional e imune a ingerências político-partidárias de qualquer espécie. Foi com esse propósito que, em 2020, os acionistas da Vale a transformaram em uma empresa corporation, com uma estrutura de capital pulverizado sem blocos de controle.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Crédito: Ricardo Stuckert/PR
É lamentável que Lula não tenha, como parece ser o caso, alguém ao seu lado que possa aconselhá-lo a abandonar velhas políticas já testadas em governos anteriores e que tantos prejuízos deram o país. Uma dessas políticas foi a do aparelhamento das empresas estatais transformadas nos governos petistas em balcões de negócios escusos, cujo resultado foi a série de escândalos de corrupção escancarados no mensalão e no petrolão.
Não satisfeito em interferir nas estatais, como costumeiramente faz com a Petrobras – que recentemente reiniciou as obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, um dos símbolos das más administrações da companhia – Lula, agora, se arvora em interferir também em empresas privadas.
Parece mesmo que Lula – que acha que é o dono do Brasil – quer reviver as velhas políticas do passado, por mais tenebrosas que elas tenham sido.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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