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Atos golpistas

As novas narrativas do bolsonarismo

Apesar do “tiro no pé”, os bolsonaristas, após um primeiro instante em que ficaram desnorteados, logo começaram a inventar novas narrativas

Publicado em 27 de Janeiro de 2023 às 00:20

Públicado em 

27 jan 2023 às 00:20
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Seria divertido, se não fosse uma realidade trágica, ver, ouvir e analisar as narrativas que o bolsonarismo constrói para acalentar o seu sonho tresloucado de ver implantada no Brasil uma intervenção militar que afastasse Lula do poder e reconduzisse “o mito” Bolsonaro à presidência da República.
Narrativa, aliás, que vem sendo construída desde que Bolsonaro ganhou mais visibilidade na vida pública. Basta lembrar as várias vezes em que ele chamou de “herói nacional” o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra – falecido em outubro de 2015 – que chefiou um dos principais órgãos de repressão do regime militar que governou o Brasil de 1964 a 1985.
Durante o período em que foi presidente da República (2019-2022), Bolsonaro cuidou de ampliar no governo federal a proximidade com os militares. Ele esteve presente em quase todas as formaturas de militares, e a participação de militares em cargos do seu governo – mais de 6 mil – dobrou em relação aos governos anteriores. A insistência com que Bolsonaro criticou as urnas eletrônicas serviu para embalar, em seus seguidores, a crença de que as eleições seriam fraudadas, motivo que seria mais do que suficiente para desacreditar o resultado do pleito caso o bolsonarismo fosse derrotado.
Foi esse enredo, potencializado pelas fake news, fartamente distribuídas nas redes sociais, que empurrou os bolsonaristas mais radicais para a frente dos quartéis onde cantaram o hino nacional e pediram intervenção militar tão logo a apuração sinalizou a vitória de Lula. A tolerância com que o Exército tratou os acampamentos bolsonaristas era mais um motivo para acalentar o sonho da intervenção militar. A invasão e depredação dos prédios do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, no último dia 8, compuseram o epílogo dessa louca tentativa frustrada de golpe de estado.
Detidos por ataques terroristas nas sedes dos Três Poderes no ginásio da Academia da Polícia Federal
Detidos por ataques terroristas nas sedes dos Três Poderes no ginásio da Academia da Polícia Federal Crédito: Nayá Tawane
Apesar do “tiro no pé” – como a depredação foi definida pelo senador capixaba Marcos do Val –, os bolsonaristas, após um primeiro instante em que ficaram desnorteados, logo começaram a inventar novas narrativas. Narrativas, aliás, que são, uma a uma, desmentidas pelos fatos.
Como aconteceu com a identificação e prisão do radical – reconhecidamente um seguidor de Bolsonaro – que derrubou e destruiu o relógio do século XVII, trazido por Dom João VI, que ficava no Palácio do Planalto. O flagrante, filmado por uma câmera de segurança, desmonta a versão bolsonarista de que os responsáveis pelas depredações seriam esquerdistas infiltrados entre os manifestantes.
Outras narrativas fantasiosas espalhadas pelas fake news falam em mortes – logo comprovadamente desmentidas – “nos campos de concentração”, como passaram a chamar os locais para onde os participantes das invasões foram levados após serem presos. As gravações feitas pelos próprios invasores serviram para desmentir as alegações de que “patriotas” estariam sendo presos “injustamente”. Mais recentemente os bolsonaristas – logo eles que tanto pedem intervenção militar – passaram a chamar de “ditadura brasileira” o regime democrático mantido pelas instituições que resistiram à tentativa do golpe de estado do dia 8.
Mas que ninguém se iluda: o bolsonarismo radical, no dia 8, tropeçou nas suas próprias pernas e caiu com a cara no chão, mas não acabou. Como escreveu o jornalista Carlos Andreazza, “os acampamentos acabaram. Mas continuam. Vão acampados milhões de mentes”. E, como são radicais, suas ações certamente não vão se limitar ao exercício da oposição próprio da democracia (embora o governo Lula esteja dando muitos motivos para receber críticas de uma oposição minimamente inteligente). Provavelmente o bolsonarismo insistirá em promover novos ataques ao regime democrático e suas instituições. E, creiam, não é nem será fácil desconstruir essa guerra e criar o desejado ambiente de pacificação tão necessário ao Brasil de hoje.
Pacificação que, mesmo sendo otimista, é preciso reconhecer que, infelizmente, nunca esteve tão distante da nossa realidade como está atualmente.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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