Acompanhei de perto as comemorações dos 25 anos do Teatro do Sesi, de Jardim da Penha, no segundo semestre do ano passado. Nem sempre assistindo aos espetáculos, mas, pelo menos, testemunhando o movimento de acesso ao teatro, já eu moro quase em frente. As comemorações duraram vários meses e compuseram o “Festival Sesi Som”, uma maratona cultural com bandas capixabas que fizeram história e a orquestra Camerata Sesi.
Recentemente o teatro foi reformado – a reabertura ocorreu em julho –, ganhando uma nova entrada mais bonita e moderna, entre outras melhorias. Com a reforma, os frequentadores deixaram de entrar pelo portão principal do Sesi – que fica em frente à minha janela – e passaram a utilizar o novo acesso pela rua vizinha. Passei então a acompanhar a frequência dos espetáculos pelas pessoas que estacionavam seus carros na rua onde moro.
Assisti a alguns dos espetáculos do “Festival Sesi Som”, todos eles com a participação da Camerata Sesi. Em cada um, a camerata destacava um tipo de música como os sucessos da Broadway, do rock e do samba. Em todas as apresentações, a lotação estava esgotada. Os ingressos eram tão disputados que muitas vezes não conseguia comprá-los porque quando procurava, já não havia mais lugares disponíveis.
Mesmo antes do “Festival Sesi Som”, assisti a outras apresentações da camerata. Fui também um assíduo expectador da banda Big Beatles que se apresentava no teatro acompanhada de um convidado diferente a cada vez. Em uma dessas ocasiões o convidado foi Roberto Menescal. Em outras ocasiões foram Kleiton e Kledir, Negra Lee e Leoni. Em 2017, levei uma de minhas netas ao teatro do Sesi para assistir “O Caixeiro da Taverna”, um dos espetáculos do 2º Festival de Ópera.
Eu estava programado para retornar ao Teatro do Sesi no dia 23, às 19h30. Iria com a minha família levar uma outra neta que desejava assistir a Orquestra Camerata Sesi na “Temporada Pop: Especial Natiruts”. Já havia adquirido os ingressos e buscado informações sobre o que nos esperava. Foi aí que aprendi que o “Natiruts” era uma banda brasileira de reggae que, fundada em 1996, atuou até o ano passado e deixou saudades. Pois é, vivendo e aprendendo, agora com os netos.
Pelos relatos acima dá para perceber o pesar que senti quando percebi que a densa fumaça que saia no telhado do teatro, no último dia 8, não era uma simulação de incêndio como havia sido comunicado aos vizinhos do Sesi que iria ocorrer. No início pensei que tudo não passava do “simulado de evacuação nas dependências da escola” como constava do aviso postado no grupo de whatsapp do condomínio. Só quando ouvi sirene dos bombeiros e as labaredas em uma das janelas do teatro, me convenci que o incêndio era uma situação real como informavam os meus vizinhos.
Foi então que me dei conta que o “simulado de evacuação”, anunciado pelo Sesi, felizmente tinha sido antecipado para o dia 2, quando os alunos da escola, de forma ordeira e sem tumulto, deixaram as salas, desceram as escadas e se reuniram no pátio. Foram, assim, adequadamente orientados a como se comportar “em situações de emergência, especialmente em casos de incêndio”, como dizia o comunicado.
No dia do incêndio, os alunos demonstram que aprenderam a lição. Repetiram o que fizeram no dia 2, deixaram as salas de aula em ordem, se reuniram, desta vez no ginásio de esportes, e puderam, sem exceção, deixar o local em segurança.
Em novo comunicado, o Sesi agradeceu “a solidariedade, o apoio e a compreensão” da comunidade vizinha reafirmando o seu “compromisso com a cultura, com a segurança e com a relação de parceria que construímos ao longo dos anos”.
De nossa parte, passado o susto, e como apreciadores e saudosos dos espetáculos, fica a torcida para que o nosso teatro retorne logo às atividades trazendo de volta para a nossa comunidade a alegria que só a arte e a cultura podem proporcionar às nossas vidas.