Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Sem surpresa

A tentativa do golpe anunciado e os sinais ao longo dos anos

Muitos foram os sinais emitidos pelos bolsonaristas e pelo próprio Bolsonaro ao longo de vários anos que demonstravam o desejo de que houvesse uma intervenção militar para manter o capitão na presidência da República

Publicado em 27 de Novembro de 2024 às 15:06

Públicado em 

27 nov 2024 às 15:06
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Não foi surpresa para ninguém o resultado das investigações da Polícia Federal que escancarou a tentativa de golpe que pretendia manter Jair Bolsonaro no poder mesmo se ele fosse derrotado nas eleições presidenciais de 2022. Muitos foram os sinais emitidos pelos bolsonaristas e pelo próprio Bolsonaro ao longo de vários anos que deixavam à mostra o desejo de uma parte considerável da sociedade brasileira de que houvesse uma intervenção militar para manter o capitão na presidência da República.
A começar pela campanha sistemática, que teve à frente o próprio Bolsonaro, de tentar desacreditar a urna eletrônica, sob a alegação de que ela não era auditável. Bolsonaro chegou ao absurdo de afirmar que até a sua vitória, ocorrida em 2018, teria sido fraudada já que os resultados das urnas não eram confiáveis. As redes sociais foram inundadas, desde aquela data, com mensagens que repetiam que os resultados das eleições brasileiras só deveriam ser acatados se fosse adotado o voto impresso. Bolsonaro chegou a reunir embaixadores de todo o mundo, em Brasília, em julho de 2022, menos de três meses antes das eleições, para questionar o processo eleitoral e a segurança das urnas eletrônicas.
Sede da Polícia Federal em Brasília
Sede da Polícia Federal em Brasília Crédito: PF/ Divulgação
O comportamento de Bolsonaro deixava claro que a sua intenção era municiar seus seguidores de argumentos para protestar contra os resultados do pleito caso fosse derrotado. Algo como havia sido tentado por Donald Trump nas eleições americanas que alegava ter vencido, embora o eleito tivesse sido o seu adversário. Até a depredação do Palácio do Planalto e das sedes do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional ocorrida em 8 de janeiro de 2023 seguiu, com adaptações, o script dos apoiadores de Tramp, um ano antes, na invasão do Capitólio.
Mas não só a campanha contra as urnas eletrônicas era uma evidência do golpe que estava sendo armado. A insistência de Bolsonaro em comparecer a praticamente todas as solenidades realizadas nos quartéis militares indicava que ele buscava, no meio militar, o apoio necessário para uma medida de exceção. Daí porque o capitão tanto falava no Artigo 142 da Constituição Federal que, no seu entendimento, permitiria às Forças Armadas intervir nos poderes da República, como se os militares pudessem exercer as funções de um “poder moderador” sob autoridade suprema do presidente da República, para garantir a ordem pública.
Na ocasião, a Câmara dos Deputados chegou a divulgar documento em que explicitava o seu entendimento de que a Constituição não autoriza as Forças Armadas a arbitrarem conflitos entre os poderes. Também o Supremo Tribunal Federal se manifestou ao decidir que na Constituição não está previsto “qualquer espaço à tese da intervenção militar, tampouco de atuação moderadora” até porque não existe um “poder militar” e sim o “poder apenas civil”. Isso não impediu que os populares acampados em frente aos quartéis do Exército, em várias capitais do país, exibissem faixas pedindo “intervenção militar com Bolsonaro no poder”.
O documentário “8 de janeiro: anatomia de um ataque golpista”, da Folha de São Paulo, mostra com clareza que as intenções golpistas estavam presentes em boa parte das Forças Armadas. Ricardo Capelli, nomeado interventor nas forças de segurança do Distrito Federal em plena rebelião do 8 de janeiro, relata, no documentário, o diálogo de enfrentamento que teve com o comandante da Polícia do Exército em frente ao acampamento dos golpistas, montado em área do Quartel Geral do Exército em Brasília. Ao saber da intenção de Capelli de prender os golpistas no acampamento, o comandante perguntou: “O senhor ia entrar com tropas sem a minha autorização? (...) Porque eu acho que eu tenho um pouquinho mais de tropas (...) O senhor tem que entender que o Brasil está dividido”.
A divulgação do resultado das investigações da Polícia Federal mostra que a intenção dos golpistas era inflamar o “clamor popular” para justificar o golpe, mesmo que isso resultasse em “uma guerra civil”. Estava tudo planejado e o golpe só não se consumou porque não houve a adesão da maioria dos comandantes militares. As investigações da Polícia Federal só vieram comprovar o que já estava anunciado há muito tempo pelos personagens desta triste página da nossa história política.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 22/04/2026
Editais e Avisos - 22/04/2026
Manoella Mello - 12.jan.26/Globo
Ana Paula vence o BBB 26 com 75,94% dos votos e consagra trajetória de veterana no reality

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados