Nos últimos cinco dias que antecedem ao segundo turno das eleições para prefeito em São Paulo serão realizadas 19 pesquisas de intenção de voto, segundo informam os registros do Tribunal Superior Eleitoral. No mesmo período, em Manaus, serão realizadas 21 pesquisas, a maior quantidade entre as capitais que terão segundo turno.
É sinal de que as pesquisas mantêm um grande prestígio entre os partidos políticos e candidatos que disputam eleições. Ainda assim, o que não faltam são críticas às pesquisas e aos institutos que as realizam.
As críticas partem da crença equivocada de que as pesquisas antecipam os resultados das eleições. Isso é totalmente inverídico. O que as pesquisas de intenção de voto fazem é, no máximo, fotografar um momento vivido pelo universo de eleitores durante a campanha eleitoral.
Utilizando-se de amostras que, é natural, guardam diferenças entre si – tanto que, no segundo turno na cidade de São Paulo as diferenças de intenção de voto entre os dois candidatos variam de 12 a 18 pontos percentuais, conforme mostram os cinco mais recentes levantamentos – os institutos de pesquisa buscam retratar qual seria o resultado das eleições se os votos fossem registrados no instante em que os pesquisados foram ouvidos. Ou seja, as pesquisas não passam de um conjunto de informações que serve, no máximo, para nortear as decisões e as estratégias dos candidatos nos dias restantes das campanhas.
Na época em que as campanhas eleitorais brasileiras eram financiadas por pessoas jurídicas – como ocorria até 2015, quando o STF proibiu esse tipo de financiamento – era possível afirmar que as pesquisas eleitorais também serviam para nortear as decisões dos financiadores sobre em quais candidaturas deveriam derramar os seus recursos. Agora que o financiamento é feito com recursos públicos, nem isso ocorre mais.
Resta a percepção, também equivocada, de boa parte dos políticos de que as pesquisas influenciariam a decisão do eleitor e favoreceriam os candidatos que surgem classificados com maior percentual de intenção de votos, na convicção de que o eleitor não gosta de “perder o voto”. Se isso fosse verdade, nunca existiriam as “viradas” tão comuns em eleições.
Algumas “viradas” conhecidas são as de Aécio Neves que, em 2014, segundo as pesquisas, estava em terceiro lugar, atrás de Marina Silva, e acabou na segunda colocação se habilitando a disputar um segundo turno, que foi disputadíssimo, com Dilma Rousseff.
Em 1989, Fernando Collor começou a campanha com magros 17% das intenções de voto e acabou em primeiro lugar derrotando Lula, o favorito segundo as pesquisas. Seis anos depois, em 1994, Fernando Henrique Cardoso também, durante a campanha, ultrapassou Lula que, até agosto, mantinha a dianteira com 42% das intenções de voto.
No Espírito Santo, uma virada sempre lembrada foi a de Albuíno Azeredo que ultrapassou José Ignacio Ferreira, que liderava as pesquisas de intenção de voto, na campanha para governador em 1990.
Como as pesquisas não antecipam o resultado das eleições, não é correto afirmar que as pesquisas acertaram ou erraram os resultados. Elas não passam de uma informação a mais a ser considerada pelos eleitores – que afinal são os que escolhem os vencedores –, pelos candidatos e seus partidos que são os personagens que planejam e promovem os atos de uma campanha eleitoral.
No máximo, as pesquisas revelam tendências do eleitorado que, sendo percebidas, podem ser úteis para o direcionamento das campanhas. Nada mais do que isso.