Este artigo está sendo publicado no dia 25 de março, que é justamente o dia da instalação do município de Cachoeiro de Itapemirim, em 1867.
A história de Cachoeiro de Itapemirim teve início no ano de 1812, quando o donatário da capitania do Estado, Francisco Alberto Rubim, recebeu a tarefa de desenvolver o povoamento da região.
As primeiras casas do arraial de Cachoeiro de Itapemirim foram levantadas no início de 1846, na altura do bairro de Baiminas. Logo depois, foram surgindo as primeiras casas comerciais no centro da Vila, próximas à antiga matriz do Senhor dos Passos.
A ideia e uma ferrovia foi apresentada à Assembleia Provincial por Basílio Carvalho Daemon, em 1872. Um vapor foi fretado para transportar de Antuérpia até a Barra do Itapemirim o material da ferrovia.
Em 1886, teve início a montagem da locomotiva e o assentamento dos trilhos. A estrada partia da Vila de Cachoeiro até a estação, em Duas Barras, de onde seguia um ramal para Castelo e um outro para Alegre.
A alma cachoeirense é tão intensa e profunda que Rubem Braga escreveu: “modéstia à parte eu sou de Cachoeiro de Itapemirim.”
O grande Rubem não disse: modéstia à parte eu sou o curió da crônica; modéstia à parte eu sou considerado o maior cronista deste país; modéstia à parte eu elevei a crônica de seu modesto espaço marginal para a condição de gênero literário de primeira grandeza.
Rubem Braga compreendeu que mais importante do que tudo isto era mesmo afirmar: modéstia à parte eu sou de Cachoeiro de Itapemirim. Cachoeiro tem alma.
A alma cachoeirense foi talhada através do tempo. Na política, o grande Jerônimo Monteiro nasceu em Cachoeiro. Nas artes, são cachoeirenses astros como Rubem Braga, Newton Braga, Roberto Carlos, Sérgio Sampaio, Carlos Imperial, Levino Fânzeres, Luz Del Fuego, Raul Sampaio Coco, Jece Valadão, Benjamin Silva, Narciso Araújo, Frederico Augusto Codeceira, Solimar de Oliveira, Evandro Moreira, João Mota, Marly de Oliveira, Nordestino Filho, Paulo de Freitas, Athayr Cagnin.
Quão irrelevantes são os títulos do meu curriculum vitae (membro de Academia, escritor, Livre-Docente, juiz de Direito) à face do soberbo título que pronuncio com todas as forças da alma – sou cachoeirense.
Tenho Certidão de Nascimento para provar que sou cachoeirense, de modo a calar os que suponham que alardeio falsamente esse glorioso galardão. O nome da cidade deriva de um aspecto geográfico: os cachoeiros ou as cachoeiras do Rio Itapemirim.
O processo de expansão agrícola, liderado pelo café, iniciou-se por meio do desmatamento das florestas para a formação dos cafezais, seguindo o curso do Rio Itapemirim.
O Estado do Espírito Santo é marcado, historicamente, por grandes correntes imigratórias. Especificamente para o Sul do Estado, dirigiram-se os italianos, solidificando não só o jeito de viver, mas, em especial, o estilo da produção cafeeira em bases familiares.