Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Alvos de protestos

O que fazer com nossos monumentos históricos e o que eles representam?

“A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado”. Se honrarias ao escravismo e a ditaduras são consideradas normais, seguramente está aí um exemplo de ignorância do passado e do presente

Públicado em 

30 jun 2020 às 05:00
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares

Grupo de manifesantes em Bristol, no Reino Unido, derrubou, durante um protesto antirracismo neste domingo (7)
Grupo de manifestantes em Bristol, no Reino Unido, derrubou estátua durante protesto antirracismo Crédito: Mohiudin Malik/Reuters/Folhapress
O caso do ex-segurança negro George Floyd, morto por um policial branco nos Estados Unidos, desencadeou protestos antirracistas e debates sobre o destino de monumentos de personalidades ligadas à escravidão e ao autoritarismo. Parte das manifestações, como as realizadas nos EUA, Bélgica e Inglaterra, foram além das palavras e literalmente destruíram estátuas em louvor a essas figuras.
As disputas alusivas à memória não são recentes, todavia, por causa da dimensão das reivindicações, agora estão na agenda de milhões de pessoas, inclusive no Brasil, país também marcado pelo escravagismo e por regimes autoritários, tendo ainda produzido inúmeras homenagens aos respectivos períodos nos espaços públicos, algo que merece avaliação da sociedade.
"Cada estátua ou placa possui um histórico e requer análise individual, ou seja, a ideia da simples remoção de tributos questionáveis pode ser substituída por ações de ressignificação e contextualização"
Herbert Soares - Articulista
Mais do que posicionar-se contra ou a favor da retirada abrupta dos símbolos, importa valorizar o debate. O historiador francês Marc Bloch, morto em 1944, tem uma frase sugestiva para o momento: “A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado”. Logo, é necessário estudar e debater à exaustão, pois, se honrarias ao escravismo e a ditaduras são consideradas normais, seguramente está aí um exemplo de ignorância do passado e do presente.
Em relação ao cenário brasileiro, o assunto provoca dúvidas e opiniões distintas. Mesmo entre historiadores e outros estudiosos, não há consenso. Cada estátua ou placa possui um histórico e requer análise individual, ou seja, a ideia da simples remoção de tributos questionáveis pode ser substituída por ações de ressignificação e contextualização.
Quanto à maneira adequada de atribuir novos significados, vale a discussão. O certo é que as modificações precisam ser efetivadas a partir de determinadas perguntas, tais como: Em qual governo foi construída? Houve diálogo com a comunidade local? Quais interesses estão envolvidos na tentativa de “imortalizar” o personagem? Por que nossos “heróis” são na esmagadora maioria brancos?
Baseado nas indagações, seria relevante a inclusão de biografias dos outrora celebrados nos próprios locais de homenagem ou num museu, até para a sociedade não esquecer que já reverenciou racistas, ditadores e torturadores. Paralelo as correções, é essencial trabalhar pela elaboração de critérios claros e justos ao nomear logradouros públicos e erguer monumentos, uma medida para evitar a repetição de equívocos.
Todas as reflexões são legítimas e a voz daqueles historicamente oprimidos precisa ser ouvida, contudo, derrubar violentamente não parece o melhor modo para lidar com o tema. Portanto, que se preserve a estrutura das obras controversas, mas reformulando o seu conceito, isto é, explicando os detalhes que envolveram a sua idealização e colocando-as apenas de forma simbólica no devido lugar.

Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Amigdalite de repetição: veja as formas de tratamento da condição
Imagem de destaque
Aliado de Arnaldinho sai do PSDB e se filia ao partido de Casagrande
Imagem de destaque
Polícia Civil recupera baterias de lítio furtadas e prende homem em Viana

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados