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Perdas

Bruno Covas e Eva Wilma tinham em comum a defesa da democracia

Mesmo sendo de gerações e áreas diferentes, Bruno e Eva compartilhavam algumas características. Entre elas, destaca-se ainda a gentileza no trato pessoal

Publicado em 01 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

01 jun 2021 às 02:00
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares

Bruno Covas e Eva Wilma
Bruno Covas e Eva Wilva: deles pode-se lembrar do modo educado de conduzir um diálogo, do jeito manso, da fala ponderada, enfim, de atributos básicos das relações sociais Crédito: Montagem - João Alvarez/Fotoarena/Folhapress e Globo/Divulgação
As mortes de Bruno Covas e de Eva Wilma, ocorridas no mês de maio, comoveram boa parte dos brasileiros. A do jovem prefeito de São Paulo, no ápice da carreira, entristeceu sobretudo os seus eleitores e companheiros de partido. Já a da notável atriz, que possui trajetória brilhante e consolidada, sensibilizou não só o campo da dramaturgia, mas todo o país.
Mesmo sendo de gerações e áreas diferentes, Bruno e Eva compartilhavam algumas características. Entre elas, destacam-se a defesa da democracia e a gentileza no trato pessoal. Deles, portanto, pode-se lembrar do modo educado de conduzir um diálogo, do jeito manso, da fala ponderada, enfim, de atributos básicos das relações sociais.
De Eva Wilma, além da beleza, do charme e do inesgotável talento, ficarão as recordações de um ser humano admirado por seus pares e pelo público, bem como da famosa fotografia que registrou sua presença em protesto contra a ditadura militar. Ainda acerca dos anos de chumbo, em 2015 ela marcou posição numa entrevista à "Folha de São Paulo" ao afirmar que pedir a volta dos militares “é coisa de gente ruim da cabeça, sem consciência política”.
Quanto a Bruno Covas, que enfrentou o câncer de forma admirável, uma passagem merece ser enfatizada: o segundo turno da eleição para prefeito de São Paulo em 2020. Nessa disputa, Covas e seu concorrente, Guilherme Boulos, deram uma grande lição para a classe política e para a sociedade ao rivalizarem respeitosamente. Ali, a democracia saiu fortalecida.
Nos debates, ambos discutiram os problemas da cidade sem ataques pessoais e, mais do que isso, mostraram que é possível fazer campanha sem transformar o adversário em inimigo. Naqueles dias, os políticos de espectro ideológico distinto produziram esperança em meio à deplorável conjuntura política brasileira. Uma marca positiva de Covas e também de Boulos, que soube perder dignamente.
Numa nação cansada de conviver com tristeza, ódio e agressividade, a saída é combater o radicalismo político e o desrespeito contínuo à democracia. Nesse sentido, é importante pensar nas últimas palavras de Covas, isto é, de que “a solução para nossos problemas só será enfrentada pela via da política, pela via democrática, pela seriedade com que os governos trabalham e realizam políticas públicas”.

Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

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