Toda guerra tem vítimas inocentes e não dá para ficar indiferente, especialmente quando são idosos e crianças. Não que uma vida valha mais que a outra – e é disso que falaremos – mas o coração fica oprimido, não tem como negar.
O problema é que não dá para tornar o mundo mais seguro apenas para alguns. Se a gente se importa somente quando morre alguém que não tinha nada a ver com a briga, se dizemos que não tem problema se for um traficante matando o outro, sem querer estamos assisando um cheque em branco para que qualquer um perca a vida.
Sim, é no contexto de disputas sangrentas entre gangues rivais que encontramos a maior parte das vítimas de balas perdidas. Felizmente, no Espírito Santo é muito raro que a ação policial provoque danos colaterais. Então, vamos fazer as contas: se dez crianças perderam a vida entre 2020 e 2022 nesses confrontos entre criminosos, é porque centenas de duelos aconteceram, alguns sem ninguém atingido mortalmente, outros em que perderam a vida exatamente as pessoas visadas – ou seus agressores.
Não tem como adivinhar quando um tiroteio alcançará transeuntes que, às vezes, nem estavam próximos. Além disso, os combates geralmente ocorrem em vias públicas movimentadas, em horários e locais imprevisíveis. Não tem como evitar estar no lugar e na hora errados se você mora em uma vizinhança violenta.
Parece ser duro para algumas pessoas ouvir isso, mas a verdade é que, nesses casos, não tem como proteger só as crianças, só os “cidadãos de bem”. Ou enfrentamos e reduzimos os conflitos violentos entre criminosos, ou devemos endurecer nossos corações sempre que tivermos a notícia de que foi baleada uma menininha que nem sequer havia aprendido a falar.
Outro detalhe que exige atenção: parece que temos uma piedade seletiva. Sempre nos dói uma infância interrompida, mas parece que isso fica um tanto anestesiado se é uma meninice negra e pobre.