Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Comando

Segurança pública no ES: tudo como dantes no quartel de Abrantes

A justificativa é que as estatísticas de homicídios estão melhorando e não se mexe em time que está ganhando. Podemos ir mais longe: quando se trata de segurança pública, é preciso pensar duas vezes até quando estamos empatando

Publicado em 15 de Janeiro de 2023 às 00:10

Públicado em 

15 jan 2023 às 00:10
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

governador anunciou recentemente a manutenção do comando na Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. Enquanto isso, o governo federal não deixa pedra sobre pedra na estrutura de comando de seus órgãos policiais e, embora meio engessado, muda o que pode nas Forças Armadas. Sobrou até para a Secretaria de Segurança do DF. Seria apenas pelo fato de haver uma ruptura na esfera federal e uma continuidade da estadual?
Por aqui, a justificativa é que as estatísticas de homicídios estão melhorando e não se mexe em time que está ganhando. Podemos ir mais longe: quando se trata de segurança pública, é preciso pensar duas vezes até quando estamos empatando. Quando se troca um comandante, as perdas são grandes e irrecuperáveis; é como se todas as obras ficassem inacabadas. Raramente alguém consegue deixar as coisas dispostas de tal maneira que não sofram uma solução de continuidade, assim como é raro quem entra ter essa visão de terminar o que começaram.
Por isso mesmo, entre muitos outros motivos, políticos e policiais devem guardar uma distância regulamentar, para evitar contaminações, relações espúrias e quebra de hierarquia. Aliás, começa que uns estão de passagem e são responsáveis pelas grandes diretrizes estratégicas, enquanto outros são servidores de carreira encarregados da rotina e da parte operacional.
Governador não tem que saber atirar, assim como as prioridades da segurança não devem ser definidas pelo soldado em patrulha. É um (não tão) difícil equilíbrio entre a proximidade e a distância entre líderes e liderados.
Claro, é uma decisão inteiramente pessoal do governador estar satisfeito ou não com a cúpula da segurança pública. Não cabe a ninguém concordar ou discordar. O governador pode até justificar publicamente, se quiser, mas apenas por razões políticas. De um ponto de vista estritamente racional, as operações mentais que o levam a manter ou trocar são insondáveis e só se prestam contas delas nas urnas. Se isso fosse uma coluna jurídica, diríamos que é um juízo plenamente discricionário.
Já em Brasília, o mundo assiste estarrecido a dois espetáculos de irracionalidade. O menos importante deles proporcionado pelos manifestantes que resolvem invadir prédios públicos, como se houvesse alguma chance de isso virar um golpe de Estado. Muito mais grave e preocupante, contudo, é que autoridades constituídas tenham deixado o Putsch da Cervejaria chegar a esse ponto, como se houvessem sido apanhadas de surpresa.
Não é simplesmente uma sucessão de governos em ruptura; não é apenas uma crise de comando, algo que se resolva trocando pessoas, o que serve apenas emergencialmente. Tanto o ministro da Justiça como o da Defesa precisarão rever conceitos e estruturas.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Motociclista morreu ao colidir com outra moto e bater no muro em Cariacica
Motociclista morre ao bater em outra moto e se chocar contra muro em Cariacica
Ministério da Justiça abre investigação por propaganda abusiva de bet na CazéTV
Ministério da Justiça abre investigação sobre ‘publicidade abusiva’ de bets durante jogos da CazéTV
Evento Todas Elas - Elaine Silva, Maria da Penha, a jornalista Rita Batista, a juíza Thaita Trevisan (terno azul), e a secretaria Fabiana Malheiros (azul/óculos)
'Violência contra a mulher começa pelo machismo', aponta Rita Batista no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados