Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Violência

Por que a ciência também é importante para a segurança pública?

A mesma racionalidade e o mesmo rigor científico com que se constroem edifícios ou se tratam doentes devem ser utilizados para a administração da justiça criminal, para a prevenção e para a apuração dos crimes etc.

Publicado em 22 de Setembro de 2024 às 01:00

Públicado em 

22 set 2024 às 01:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

O colunista aqui está exultante com a aprovação, pela Capes, nesta semana, do primeiro doutorado profissional em Segurança Pública do Brasil. Claro: como membro do corpo docente, isso é a coroação de uma década de trabalho em equipe. Contudo, não apenas os profissionais da segurança deveriam estar felizes, mas toda a sociedade.
Até a 2ª Guerra Mundial, a expectativa de vida era de pouco mais de 40 anos. Uma das causas de estarmos quase dobrando a duração da vida humana é a redução da violência (sim, ao contrário do que pensam os alarmistas, a violência está diminuindo no mundo em geral, ainda que nem sempre, nem em todos os lugares). A outra razão de estarmos vivendo mais são os espetaculares avanços da medicina e sua universalização (sim, a despeito do quanto se reclama da sua mercantilização).
É claro que a ciência somente conseguiu avançar a poder de pesquisa científica. É só por isso que terapias e medicamentos desconhecidos até recentemente hoje estão disponíveis a um número progressivamente maior de pacientes. Ninguém duvida da importância dos cientistas e da academia para o progresso da Medicina. O mesmo não se dá quando falamos em segurança pública.
Infelizmente, tanto o trabalho das polícias como do Judiciário, do MP e de outros órgãos, passando pelo sistema prisional e pela legislação criminal, tudo continua sendo feito de maneira intuitiva, muitas vezes até irracional. Não se aprofundam os debates, não se avaliam as práticas e as políticas públicas, não se aferem a efetividade e a economicidade das medidas adotadas pelo Estado.
Quase tudo que é feito tem uma explicação histórica, não lógica. A consequência, claro, é muito desperdício de dinheiro e resultados poucos satisfatórios, além de fenômenos como as facções criminosas.
Nem todo mundo percebe, mas as forças de segurança e as instituições de ensino superior estão de costas umas para as outras desde o regime militar, embora este tenha acabado em 1985. É isso aí, mesmo: mais de 40 anos depois, professores e policiais continuam se olhando com desconfiança e, muitas vezes, animosidade, embora nem sejam os mesmos.
A população, também, parece não notar que a mesma racionalidade e o mesmo rigor científico com que se constroem edifícios ou se tratam doentes devem ser utilizados para a administração da justiça criminal, para a prevenção e para a apuração dos crimes etc.
Bem, essa notícia é alvissareira para toda a população, mas, para o autor destas mal traçadas linhas é motivo de uma alegria aguardada por anos. Você, que me lê no domingo, saiba que desde quinta-feira eu me concedi quatro dias de folia. Estou tendo o meu carnaval particular, fora de época e na parte errada da semana.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

3 dicas de maquiagem para curtir os jogos do Brasil no Mundial
Imagem de destaque
Irã diz que 'nada foi finalizado' após Trump dizer que acordo está próximo
Imagem BBC Brasil
Com Neymar, Panini lança pacote atualizado de figurinhas da Copa: o que a matemática diz sobre as chances de completar o álbum

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados