Pobres cariocas! A Polícia Federal acaba de prender um deputado estadual eleito e o ex-delegado-geral da Polícia Civil do Rio de Janeiro e, como todos sabem, há décadas que muitos de seus governadores passam uma temporada vendo o sol nascer quadrado. Estou rouco de tanto gritar algumas coisas e ninguém quer ver.
A primeira delas é que as facções e milícias não são o maior problema dos nossos vizinhos e só crescem na medida em que são úteis ao verdadeiro crime organizado.
Enquanto um monte de facínoras selvagens troca tiros entre si ou com a polícia, os grandes criminosos, aqueles que sempre prometem enforcar os pequenos, nadam de braçada nas finanças públicas e na economia privada do estado.
A criminalidade do Rio vem de cima para baixo e ponto final. Aliás, é assim no mundo todo, em particular no Brasil. É uma utopia imaginar que dá para resolver o problema da baixa criminalidade sem, primeiro, dar combate à de colarinho branco, que anda de terno, mora nos melhores bairros e nunca sai do ar-condicionado.
A segunda é que apenas uma força policial sem vínculos locais pode fazer algo de efetivo contra a alta criminalidade. Apenas autoridades federais têm independência suficiente para fazer algo contra as oligarquias corruptas paroquianas. O problema é que a Polícia Federal simplesmente não tem efetivo suficiente para dar conta de uma atribuição desse tamanho.
Enquanto isso, apenas como cortina de fumaça, o Congresso está discutindo a redução da maioridade penal... Aviso aos cidadãos: alguém pode até votar sendo menor, mas apenas quem completou 18 anos pode ser eleito governador do RJ, roubar tudo o que puder e colocar as polícias cariocas para esconder isso com a fumaça e o ruído de operações nas favelas. Querem pena de morte, também? Pois é assim que a China pune a corrupção.
Vou mandar a real: uma simples intervenção temporária no estado não bastaria. O Rio de Janeiro continua lindo, mas perdeu completamente a capacidade de autogestão. Não seria uma solução mágica, rápida nem garantida, mas eu começaria por torná-lo um território federal, ou seja, sem governos locais e sem eleições, governado de fora, por prazo indeterminado. Pronto! Disse.