Depois de um curto período e já entregando uma reversão da tendência de alta para baixa no número de homicídios, ainda está muito cedo para previsões de longo prazo e uma avaliação mais definitiva da gestão do Coronel Ramalho à frente da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), mas já é possível perceber uma acertada opção estratégica: não definir uma estratégia inicial e focar no operacional.
A Gazeta já noticiou o aumento do número de operações, porém mais significativo é o número de suspeitos abordados, multiplicados por 100. Também houve importantes prisões de homicidas pela PM, o que sugere que a corporação está indo direto ao assunto.
Se utilizarmos uma imagem do futebol, é como passar dos 30 minutos do segundo tempo e precisar desesperadamente marcar um gol: até o goleiro vai tentar cabecear. Claro que não é um modo de jogar durante todo o campeonato, mas há momentos em que ou vai ou racha.
Ou podemos recorrer à história dos grandes líderes militares, como o General Leônidas, que salvou a Grécia com 300 homens (na verdade, eram 10 vezes mais, mas ainda pouquíssimos diante do exército persa), ou Churchill após a retirada de Dunquerque, ou Aníbal atravessando os Alpes.
Havia muito mais de motivação da tropa do que de estratégia em cada uma dessas situações. Deixar cada soldado com a faca nos dentes e sangue nos olhos era o mais decisivo, pois as condições eram as mais adversas, os riscos eram tremendos e outros teriam buscado uma rendição.
Já escrevi nesta coluna sobre o fato de a PM haver caído em depressão anaclítica após o movimento paredista, e sobre a necessidade de reacender os brios e os ânimos. Além dos resultados extremamente positivos, ao menos por enquanto, parece que também a PC está se contaminando do entusiasmo da Sesp.
Todo mundo sabe que esse não é o modelo para tempos normais ou para ser seguido no longo prazo, mas vivemos um momento crucial, com crises na saúde e na economia, e no horizonte vemos apenas sangue, suor e lágrimas. A única tentação a ser evitada nessa corrida é a armadilha de enfraquecer a inteligência para colocar todo mundo no ataque: os jogadores não podem estar todos dentro da área, ou quem vai cobrar o corner, fazer os lançamentos, driblar e desorganizar a defesa adversária?
Então, parece que é isto o que se passa na cabeça do Ramalhão: liderar pelo exemplo, focar resultados e esperar passar o pior da tempestade.