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Segurança pública

Como se portar em uma abordagem policial

O que dá para extrair desde já dessa tragédia é que o cidadão jamais deve tentar se esquivar da abordagem policial e muito menos praticar gestos bruscos que podem ser interpretados como uma reação violenta

Publicado em 09 de Fevereiro de 2025 às 01:00

Públicado em 

09 fev 2025 às 01:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Ganhou muita repercussão esta semana o incidente em que policiais militares, ao abordar um veículo que aparentemente tentou atingi-los, razão pela qual eles efetuaram mais de 40 disparos contra o automóvel, resultando na morte de um jovem que, ao que tudo indica, não tinha qualquer envolvimento com algum crime.
Todo mundo concordou em que o episódio precisa ser aprofundadamente investigado antes de se emitir juízo sobre ter havido excesso por parte dos profissionais da segurança pública, porém a maioria ficou impressionada com a quantidade de munição deflagrada. Só que não é bem assim.
Em primeiro lugar, é preciso considerar que os disparos foram feitos contra um automóvel, não contra indivíduo a pé. Somente alguns disparos atingiram a vítima e fica muito difícil para o atirador avaliar se a ameaça contra ele cessou antes que o veículo pare completamente.
Em segundo lugar, em situações tão inesperadas, que se passa em um ou dois segundos, cada policial tende a agir como se fosse o único atirando. Aliás, mais que isso: já se constatou que o fato de um disparar faz disparar nos demais o mecanismo de também fazer uso da arma de fogo. Por fim e não menos importante, o instinto do ser humano médio em legítima defesa é de só parar de atirar quando acaba a munição.
Claro que policiais devem ser treinados e sistematicamente reciclados justamente para não atuar instintivamente como um cidadão qualquer. A PMES utiliza o Método Giraldi e há outras cartilhas de tiro defensivo com a mesma intenção: preservar a vida tanto do profissional como do suspeito e, claro, de transeuntes. Isso não significa necessariamente que os envolvidos erraram e, como não custa frisar, só a completa apuração dos fatos permitirá juízos de valor.
O que dá para extrair desde já dessa tragédia é que o cidadão jamais deve tentar se esquivar da abordagem policial e muito menos praticar gestos bruscos que podem ser interpretados como uma reação violenta. Ao acelerar o carro, como aparece no boletim de ocorrência, a vítima talvez estivesse apenas querendo se evadir do local, talvez para não receber uma multa, mas os policiais podem ter enxergado como uma tentativa de os atropelar. Da mesma forma, nunca tente pegar sua carteira de documentos no bolso ou no porta luvas sem primeiro avisar e com movimentos lentos, bem à vista do policial, ou ele pode supor que você vai sacar uma arma.
Reviravolta: jovem foi morto a tiros durante abordagem da PM em Colatina
Reviravolta: jovem foi morto a tiros durante abordagem da PM em Colatina Crédito: Leitor A Gazeta
A situação é tensa e desagradável para todos os envolvidos. Qualquer movimento precipitado pode desencadear uma série de acontecimentos trágicos. Sim, faz parte do método Giraldi aprender a distinguir a verdadeira ameaça de uma atitude apenas impensada por parte do cidadão, mas o procedimento não é perfeito e, além disso, pode haver uma falha individual.
É muito cedo para arriscar conclusões, mas o leitor pode já tirar essa lição: quando estiver lidando com a polícia, faça tudo o que mandarem e se comporte de uma maneira claramente não ameaçadora. Se você achar que estão praticando algum abuso, vá reclamar depois na Corregedoria. Uma abordagem policial não é o momento para questionamentos ou para perder a paciência; e procure controlar o susto que pode ter sentido com a abordagem, porque a técnica é essa mesma: surpreender e desestimular qualquer ato de resistência. Melhor ter a CNH apreendida por estar dirigindo sob efeito de álcool do que arriscar a própria vida tentando fugir.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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