Esta semana saiu a notícia de um policial militar punido por usar farda em postagens nas redes sociais. Também aqui no Espírito Santo uma outra militar não foi autorizada a participar de um reality show, por se considerar que afetaria a imagem da corporação.
E, num caso mais radical, um delegado de Polícia Civil de SP foi severamente punido por criar conteúdo para o YouTube com imagens de suas operações e atividades cotidianas. Pode parecer estranho, mas, embora ressalvando que não conhecemos os casos concretos, em tese essas decisões estariam corretas.
Em primeiro lugar, instituições policiais são regidas por hierarquia e disciplina rigorosas, sendo que o policial deve, antes de mais nada, levar vida honrada e discreta, inclusive nas redes sociais. Como a população se sente vendo que autoridades públicas envolvidas em “barracos”, escândalos sexuais ou afundadas em dívidas, mesmo que não tenham uma relação direta com as suas funções? Isso vale para policiais, juízes e promotores, assim como, aliás, para parlamentares e titulares do executivo.
Por outro lado, é inevitável que a imagem da corporação seja associada à de seus integrantes individualmente considerados. Claro que isso fica muito maior se ele aparece fardado, mas esse efeito não pode ser afastado mesmo sem o uniforme – aliás, fica pior ainda sem roupa nenhuma. Não, uma corporação militar não pode aparecer por aí “largada e pelada”, nem mesmo fazendo dancinhas engraçadas. O assunto delas é sério, sério até demais.
Além disso, não é admissível que o ocupante de um cargo público espetacularize sua atuação, para obter seja projeção, seja rendimentos extras. É inevitável que certas autoridades acabem ganhando notoriedade apenas cumprindo o seu dever, esclarecendo à população e atendendo às demandas da imprensa; até aqui, podemos até considerar um dever de prestar contas.
Mas não é admissível que o próprio policial transforme a sua vida profissional (e a de seus colegas, dos suspeitos, transeuntes etc.) em seu reality show particular. Isso não só compromete a imagem da corporação, que dela muito necessita para obter o apoio da população no exercício de suas funções, como obviamente põe em questionamento e risco o próprio trabalho que esse policial “aparecido” está desempenhando.
Vida difícil? Sim. Autoridades públicas precisam não apenas ser sérias e honestas, comedidas e discretas, mas também parecer assim. A população tem o direito de poder confiar nelas e, desta maneira, não importa somente o que elas fazem durante o expediente. A exposição pública é um preço a pagar e, quanto mais elevado o cargo, maior a vigilância sobre aquela pessoa. Quem não quiser, que deixe o cargo. Bodycams vêm no pacote.